{"id":197,"date":"2026-07-21T16:40:55","date_gmt":"2026-07-21T16:40:55","guid":{"rendered":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/restaking-2026-slashing-cascata-seguro\/"},"modified":"2026-07-21T16:40:55","modified_gmt":"2026-07-21T16:40:55","slug":"restaking-2026-slashing-cascata-seguro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/restaking-2026-slashing-cascata-seguro\/","title":{"rendered":"Restaking em 2026: o slashing em cascata e a corrida ao seguro"},"content":{"rendered":"<h2 class='wp-block-heading'>Porque \u00e9 que o risco do restaking voltou \u00e0 conversa em 2026<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Em 17 de julho de 2026, a ether.fi anunciou, em conjunto com a Nexus Mutual, uma ap\u00f3lice que cobre at\u00e9 15.000 ETH em perdas por slashing (aproximadamente 28,9 milh\u00f5es de d\u00f3lares, ou cerca de 25,3 milh\u00f5es de euros, ao pre\u00e7o atual do ETH), a maior cobertura deste tipo alguma vez contratada no setor, segundo o noticiado pela <a href='https:\/\/decrypt.co\/373708'>Decrypt<\/a>. O an\u00fancio reacende uma pergunta que o setor do restaking tem evitado responder com clareza: o que acontece quando uma \u00fanica falha se propaga em cascata pelos v\u00e1rios servi\u00e7os que um mesmo ETH em restaking est\u00e1 a garantir ao mesmo tempo.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que o EigenLayer ativou o slashing em produ\u00e7\u00e3o na mainnet, em abril de 2025, as perdas reais atribu\u00edveis a cortes de stake t\u00eam sido pr\u00f3ximas de zero. Mas o facto de operadoras de grande escala como a ether.fi estarem agora a contratar seguro por conta pr\u00f3pria sugere que o apetite por prote\u00e7\u00e3o contra o risco de cauda \u00e9 real, mesmo sem incidentes recentes que o justifiquem publicamente. Este \u00e9, no fundo, o verdadeiro tema do restaking no seu segundo ano de vida: j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de rendimento adicional, \u00e9 uma quest\u00e3o do que acontece quando algo corre mal, e quem paga a conta quando isso acontece, tema que j\u00e1 explor\u00e1mos em detalhe em <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/conta-post-mortem-quem-paga-hack-cripto\/'>\u00abA conta do post-mortem: quem paga quando a cripto \u00e9 hackeada\u00bb<\/a>.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Este artigo foca-se especificamente no risco de slashing correlacionado, ou seja, a possibilidade de uma falha isolada gerar perdas em v\u00e1rias frentes ao mesmo tempo, e no que os principais protocolos do setor (EigenLayer\/EigenCloud, Symbiotic, Babylon, SSV Network) est\u00e3o, ou n\u00e3o est\u00e3o, a fazer para conter esse risco.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>O que \u00e9 o restaking, em poucas palavras<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">O restaking \u00e9 a pr\u00e1tica de reutilizar ETH j\u00e1 apostado (staked) na camada de consenso da Ethereum, ou um token que represente essa aposta, para tamb\u00e9m garantir a seguran\u00e7a de servi\u00e7os de terceiros, os chamados AVS (Actively Validated Services): or\u00e1culos, pontes entre blockchains, camadas de disponibilidade de dados, sequenciadores de rollups. Em troca, o utilizador recebe rendimento adicional; em contrapartida, aceita novas condi\u00e7\u00f5es de penaliza\u00e7\u00e3o (slashing) que se somam \u00e0s j\u00e1 existentes ao n\u00edvel do protocolo Ethereum.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Uma parte significativa deste capital circula sob a forma de tokens de restaking l\u00edquido (LRT), como o eETH da ether.fi ou o ezETH da Renzo, que representam o dep\u00f3sito subjacente e podem ser reutilizados noutras aplica\u00e7\u00f5es de DeFi, uma pr\u00e1tica conhecida como rehipoteca\u00e7\u00e3o. \u00c9 precisamente esta reutiliza\u00e7\u00e3o em camadas sucessivas, staking, restaking, e depois reutiliza\u00e7\u00e3o do LRT noutro protocolo, que torna a pergunta central deste artigo t\u00e3o relevante: cada camada adicional multiplica os pontos onde algo pode correr mal, mesmo que o rendimento anunciado pare\u00e7a simples de somar.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito foi popularizado pelo EigenLayer e gerou, desde cedo, um aviso p\u00fablico de Vitalik Buterin, cofundador da Ethereum, no seu blog pessoal, em maio de 2023: <a href='https:\/\/vitalik.eth.limo\/general\/2023\/05\/21\/dont_overload.html'>\u00abDon&#8217;t overload Ethereum&#8217;s consensus\u00bb<\/a>. Buterin escreveu que \u00abqualquer expans\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es do consenso da Ethereum aumenta os custos, a complexidade e os riscos de correr um validador\u00bb, e que o consenso social das comunidades de blockchain \u00ab\u00e9 algo fr\u00e1gil (&#8230;) cada extens\u00e3o deste tipo torna o pr\u00f3prio n\u00facleo mais fr\u00e1gil\u00bb. A preocupa\u00e7\u00e3o de fundo: se demasiadas fun\u00e7\u00f5es financeiras complexas passarem a depender do mesmo conjunto de validadores, cria-se um incentivo para resgatar (bail out) protocolos falhados, considerados demasiado grandes para falhar, o que corr\u00f3i a neutralidade da pr\u00f3pria Ethereum.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Sreeram Kannan, fundador do EigenLayer (entretanto reposicionado como EigenCloud), respondeu publicamente a essa cr\u00edtica numa entrevista \u00e0 <a href='https:\/\/www.coindesk.com\/tech\/2023\/09\/27\/eigenlayers-sreeram-kannan-on-the-hot-and-risky-ethereum-trend-of-restaking'>CoinDesk<\/a>, argumentando que \u00abtudo o que o restaking pode fazer, o liquid staking j\u00e1 pode fazer\u00bb e que via \u00abo restaking como um risco menor do que o liquid staking\u00bb. \u00c9 uma discord\u00e2ncia que continua por resolver em 2026, e que este artigo usa como pano de fundo para avaliar o que realmente mudou.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Slashing: o mecanismo de puni\u00e7\u00e3o que poucos utilizadores compreendem<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Ao n\u00edvel do protocolo Ethereum, o slashing existe para punir comportamento comprovadamente malicioso ou negligente de um validador, por exemplo assinar dois blocos em conflito na mesma altura (double signing) ou estar offline de forma prolongada. \u00c9 um mecanismo relativamente bem compreendido, com regras fixas e um hist\u00f3rico de v\u00e1rios anos de dados desde o lan\u00e7amento do Beacon Chain.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O restaking introduz uma segunda camada de slashing, definida n\u00e3o pelo protocolo Ethereum mas por cada AVS individualmente. Cada servi\u00e7o pode definir as suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de corte: um or\u00e1culo pode penalizar um operador que reporte um pre\u00e7o errado; uma ponte pode penalizar assinaturas fraudulentas; um sequenciador de rollup pode penalizar a produ\u00e7\u00e3o de um bloco inv\u00e1lido. O problema n\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia destas regras por si s\u00f3, mas a possibilidade de o mesmo capital estar exposto a v\u00e1rias regras diferentes, escritas por equipas diferentes, com n\u00edveis de maturidade de auditoria diferentes, ao mesmo tempo.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 esta sobreposi\u00e7\u00e3o que a ind\u00fastria come\u00e7ou a chamar de risco de slashing correlacionado, e \u00e9 o assunto central das pr\u00f3ximas sec\u00e7\u00f5es.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>O problema do risco correlacionado: uma falha, muitas perdas<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Risco correlacionado, no contexto do restaking, significa que uma \u00fanica causa raiz (um bug num contrato inteligente, um operador mal configurado, uma chave comprometida) pode gerar penaliza\u00e7\u00f5es em m\u00faltiplos AVS ao mesmo tempo, porque o mesmo stake subjacente estava a garantir todos eles em simult\u00e2neo. Ao contr\u00e1rio de um evento de slashing isolado na camada de consenso da Ethereum, que afeta um validador de cada vez segundo regras conhecidas, uma falha correlacionada pode multiplicar-se pela quantidade de servi\u00e7os a que esse operador est\u00e1 exposto.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Um cen\u00e1rio ilustrativo, puramente hipot\u00e9tico: um operador que aloque o mesmo stake a um or\u00e1culo, a uma ponte e a um sequenciador de rollup pode, em teoria, ver-se exposto a tr\u00eas eventos de corte distintos se um \u00fanico bug de software partilhado entre esses tr\u00eas clientes for explorado ao mesmo tempo. Nenhum destes servi\u00e7os precisa de estar diretamente ligado aos outros para que isto aconte\u00e7a; basta que dependam do mesmo c\u00f3digo, da mesma infraestrutura, ou do mesmo conjunto de chaves, para que uma falha comum se traduza em m\u00faltiplas penaliza\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas em vez de uma s\u00f3.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Matt Leisinger, cofundador e diretor de produto (Chief Product Officer) da Alluvial, empresa-m\u00e3e da Liquid Collective, resumiu o problema em declara\u00e7\u00f5es citadas pela <a href='https:\/\/beincrypto.com\/experts-warn-of-restaking-vulnerabilities\/'>BeInCrypto<\/a>: \u00abtokens em restaking est\u00e3o muitas vezes expostos a v\u00e1rias redes de validadores. Se uma rede tiver mau desempenho ou violar as regras do protocolo, as penaliza\u00e7\u00f5es de slashing podem propagar-se em cascata por todas as camadas de restaking\u00bb. Leisinger acrescentou que \u00abcada camada de restaking introduz novos contratos inteligentes, aumentando a superf\u00edcie de ataque para exploits\u00bb, e defendeu mais transpar\u00eancia: \u00abisto levanta riscos que os investidores, \u00e0 primeira vista, talvez n\u00e3o conhe\u00e7am, por isso deveria existir transpar\u00eancia sobre quaisquer vetores de risco ou atividade deste tipo que possa afetar o stake de algu\u00e9m\u00bb.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Vale notar que, at\u00e9 \u00e0 data, os incidentes mais caros do setor n\u00e3o vieram do slashing propriamente dito, mas de falhas de pontes e contratos inteligentes, como o exploit de abril de 2026 que retirou cerca de 292 milh\u00f5es de d\u00f3lares (aproximadamente 256 milh\u00f5es de euros) ao protocolo Kelp DAO atrav\u00e9s de uma ponte cross-chain, com efeitos de cont\u00e1gio na Aave, segundo o relato da <a href='https:\/\/www.coindesk.com\/tech\/2026\/04\/19\/2026-s-biggest-crypto-exploit-kelp-dao-hit-for-usd292-million-with-wrapped-ether-stranded-across-20-chains'>CoinDesk<\/a>. Esse epis\u00f3dio, tal como analis\u00e1mos em <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/auditado-hackeado-post-mortem-cripto\/'>\u00abAuditado e hackeado: o ponto cego dos post-mortems cripto\u00bb<\/a>, mostra como mesmo protocolos auditados podem falhar por vetores que a auditoria n\u00e3o cobria. \u00c9 um lembrete \u00fatil: o risco correlacionado de slashing \u00e9, at\u00e9 hoje, sobretudo te\u00f3rico e acad\u00e9mico, mas o hist\u00f3rico recente do setor mostra que os vetores de falha reais tendem a aparecer precisamente onde menos se olhou.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Como o EigenLayer tenta isolar o risco: Operator Sets e Unique Stake Allocation<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta mais elaborada a este problema, at\u00e9 \u00e0 data, vem do pr\u00f3prio EigenLayer (agora EigenCloud), que descreveu publicamente, desde setembro de 2024, um modelo de seguran\u00e7a assente em dois conceitos: Operator Sets e Unique Stake Allocation. Segundo o <a href='https:\/\/blog.eigencloud.xyz\/introducing-the-eigenlayer-security-model\/'>blog oficial do EigenCloud<\/a>, cada operador define, para cada AVS a que adere, que fra\u00e7\u00e3o do seu stake fica sujeita a corte por esse servi\u00e7o espec\u00edfico. A regra central: \u00abuma unidade de ETH s\u00f3 pode ser cortada (slashed) por um Operator Set de cada vez\u00bb.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, isto significa que, em vez de um AVS poder, em teoria, reclamar todo o stake delegado a um operador, cada servi\u00e7o s\u00f3 controla a fatia que lhe foi especificamente alocada. O blog descreve o efeito como localiza\u00e7\u00e3o do risco: \u00abcomo o Stake \u00danico de um Operator Set s\u00f3 \u00e9 cort\u00e1vel por esse Operator Set espec\u00edfico, o slashing fica localizado, eliminando a necessidade de um comit\u00e9 de veto comum\u00bb. Isto permite ao EigenLayer continuar a aceitar novos AVS de forma permissionless (sem aprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de um comit\u00e9 central) sem que isso aumente automaticamente o risco agregado de cada operador individual.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma diferen\u00e7a importante face \u00e0 perce\u00e7\u00e3o popular de que o restaking exp\u00f5e cegamente todo o capital de um utilizador a todos os servi\u00e7os simultaneamente. Na arquitetura atual do EigenLayer, essa exposi\u00e7\u00e3o \u00e9, em teoria, configur\u00e1vel e limitada por operador e por servi\u00e7o. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, a decis\u00e3o de quanto alocar a cada AVS continua a caber ao operador, ou ao protocolo de restaking l\u00edquido que gere esse capital em nome do utilizador final, o que desloca o risco de \u00abo protocolo falha\u00bb para \u00abo meu operador fez uma m\u00e1 escolha de aloca\u00e7\u00e3o\u00bb, sem o eliminar por completo.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>A matem\u00e1tica da cascata: o que diz a investiga\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m da arquitetura dos pr\u00f3prios protocolos, existe tamb\u00e9m investiga\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica dedicada a modelar matematicamente at\u00e9 que ponto uma falha se pode propagar. O artigo <a href='https:\/\/arxiv.org\/abs\/2407.21785'>\u00abRobust Restaking Networks\u00bb<\/a>, de Naveen Durvasula e Tim Roughgarden (Columbia University), publicado no arXiv, prop\u00f5e um enquadramento para medir a robustez de uma rede de restaking atrav\u00e9s da margem entre o custo e o lucro de um ataque.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O exemplo num\u00e9rico mais citado do artigo ilustra bem a l\u00f3gica: \u00abse o custo de um ataque exceder sempre o lucro do ataque em 10%, ent\u00e3o uma perda s\u00fabita de 0,1% do stake total n\u00e3o pode resultar numa perda final superior a 1,1% do stake total\u00bb. Ou seja, com uma margem de sobrecolateraliza\u00e7\u00e3o suficiente, o efeito de cascata fica matematicamente limitado, mesmo que n\u00e3o seja eliminado por completo. Os autores derivam ainda condi\u00e7\u00f5es de robustez local, aplic\u00e1veis a servi\u00e7os individuais ou a coliga\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os, e limites para o comprimento m\u00e1ximo de uma cadeia de ataques em cascata, tudo calcul\u00e1vel em tempo polinomial.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, este tipo de modelo d\u00e1 aos protocolos, e aos pr\u00f3prios operadores, uma forma de quantificar, e n\u00e3o apenas descrever de forma qualitativa, at\u00e9 que ponto uma determinada configura\u00e7\u00e3o de aloca\u00e7\u00e3o de stake \u00e9 segura. Um protocolo pode, por exemplo, usar este enquadramento para decidir qual o limite m\u00e1ximo de stake que permite a um \u00fanico operador alocar a um conjunto de AVS considerados de risco correlacionado (por partilharem c\u00f3digo, infraestrutura ou equipa de desenvolvimento), em vez de deixar essa decis\u00e3o inteiramente a crit\u00e9rio do operador. At\u00e9 \u00e0 data, por\u00e9m, a ado\u00e7\u00e3o destes modelos pelos protocolos em produ\u00e7\u00e3o parece ainda limitada, mais um t\u00f3pico de investiga\u00e7\u00e3o ativa do que uma norma de engenharia obrigat\u00f3ria em toda a ind\u00fastria.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Tabela: como cada protocolo lida com o risco de slashing<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">A tabela seguinte resume, de forma necessariamente simplificada, a abordagem de quatro dos principais protocolos do setor ao problema do isolamento de risco. Os valores de TVL (valor total bloqueado) variam significativamente consoante a fonte e a data de consulta, uma caracter\u00edstica persistente deste setor, pelo que devem ser lidos como ordens de grandeza e n\u00e3o como n\u00fameros exatos. Os pre\u00e7os dos tokens EIGEN e SSV citados foram consultados diretamente na <a href='https:\/\/www.coingecko.com\/en\/coins\/eigencloud'>CoinGecko (EIGEN)<\/a> e na <a href='https:\/\/www.coingecko.com\/en\/coins\/ssv-network'>CoinGecko (SSV)<\/a>; o valor da Babylon corresponde ao indicado pelo <a href='https:\/\/babylonlabs.io'>painel oficial do protocolo<\/a>.<\/p><figure class='wp-block-table'><table><thead><tr><th>Protocolo<\/th><th>Modelo de isolamento de risco<\/th><th>TVL aproximado<\/th><th>Token (meados de julho de 2026)<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>EigenLayer \/ EigenCloud<\/td><td>Operator Sets + Unique Stake Allocation: uma unidade de ETH s\u00f3 \u00e9 cort\u00e1vel por um Operator Set de cada vez<\/td><td>Entre cerca de 4,5 e mais de 15 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (aprox. 3,9 a 13,1 mil milh\u00f5es de euros), consoante a fonte<\/td><td>EIGEN, aprox. USD 0,234 \/ EUR 0,205<\/td><\/tr><tr><td>Symbiotic<\/td><td>Isolamento por vault; resolu\u00e7\u00e3o de disputas via terceiros (UMA, Kleros ou comit\u00e9)<\/td><td>Entre cerca de 900 milh\u00f5es e 1,7 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (aprox. 790 milh\u00f5es a 1,49 mil milh\u00f5es de euros), consoante a fonte<\/td><td>Ainda sem token p\u00fablico l\u00edquido<\/td><\/tr><tr><td>Babylon<\/td><td>Scripts de bloqueio temporal nativos do Bitcoin; a penaliza\u00e7\u00e3o aplica-se ao par staker\/finality provider escolhido<\/td><td>Cerca de 5,64 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (aprox. 4,94 mil milh\u00f5es de euros), correspondentes a 56.853,16 BTC<\/td><td>BABY, mcap aprox. USD 50 a 53 milh\u00f5es (faixa recente)<\/td><\/tr><tr><td>SSV Network<\/td><td>Chaves de participa\u00e7\u00e3o (o capital principal de 32 ETH n\u00e3o \u00e9 cort\u00e1vel); capital delegado opcional sujeito ao Risk Expressive Model por bApp<\/td><td>A rede afirma mais de 7 milh\u00f5es de ETH em stake (fonte pr\u00f3pria, n\u00e3o verific\u00e1vel de forma independente)<\/td><td>SSV, aprox. USD 2,07 \/ EUR 1,81<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure><p class=\"wp-block-paragraph\">Como a tabela sugere, n\u00e3o existe ainda um padr\u00e3o \u00fanico da ind\u00fastria. O EigenLayer aposta em isolamento granular por operador e por servi\u00e7o; a Symbiotic aposta em isolamento por vault com resolu\u00e7\u00e3o de disputas delegada a terceiros; a Babylon simplifica o problema ao manter o BTC bloqueado por scripts nativos do pr\u00f3prio Bitcoin, ligados a um \u00fanico fornecedor de finalidade escolhido pelo staker; a SSV Network protege o capital principal do validador por defini\u00e7\u00e3o, e deixa cada bApp definir o seu pr\u00f3prio apetite de risco atrav\u00e9s do que a rede chama Risk Expressive Model.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>O seguro chega ao restaking: o acordo entre a ether.fi e a Nexus Mutual<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta de mercado mais recente ao problema do risco de slashing n\u00e3o veio da engenharia de protocolo, mas de um produto de seguro. A 17 de julho de 2026, a ether.fi, uma das maiores operadoras de staking e restaking da Ethereum, com mais de 6 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em ativos sob gest\u00e3o distribu\u00eddos pelos seus produtos Cash, Stake e Liquid, anunciou uma ap\u00f3lice com a Nexus Mutual que cobre at\u00e9 15.000 ETH em perdas por slashing, segundo a <a href='https:\/\/decrypt.co\/373708'>Decrypt<\/a>.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Mike Silagadze, fundador e CEO da ether.fi, justificou o investimento: \u00absempre acredit\u00e1mos que os protocolos mais seguros acabar\u00e3o por vencer. \u00c9 por isso que investimos fortemente em auditorias, seguran\u00e7a operacional, arquitetura de staking, e agora no maior programa de seguros do setor\u00bb. Hugh Karp, fundador da Nexus Mutual, descreveu o acordo como \u00abum passo hist\u00f3rico, e estamos orgulhosos de que tenham escolhido a Nexus Mutual para o dar\u00bb.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, esta ap\u00f3lice n\u00e3o elimina o risco de slashing correlacionado descrito nas sec\u00e7\u00f5es anteriores, apenas transfere uma parte financeira desse risco para uma seguradora descentralizada, financiada pelos seus pr\u00f3prios membros e reservas de capital, \u00e0 semelhan\u00e7a do que uma resseguradora tradicional faria no setor financeiro convencional. \u00c9, ainda assim, um sinal relevante: mesmo sem um grande incidente de slashing documentado at\u00e9 \u00e0 data, um dos maiores operadores da Ethereum considerou que o risco de cauda justificava uma cobertura recorde.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>A cobertura em camadas da Liquid Collective: um modelo para o staking institucional<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Um modelo mais estruturado, pensado especificamente para clientes institucionais, \u00e9 o programa de cobertura da Liquid Collective, o protocolo de liquid staking apoiado pela Alluvial, com participa\u00e7\u00e3o de nomes como Coinbase, Kraken, Figment e Kiln na sua conce\u00e7\u00e3o original. Segundo o pr\u00f3prio <a href='https:\/\/liquidcollective.io\/coverage-program\/'>site da Liquid Collective<\/a>, o programa funciona em tr\u00eas camadas, pensadas para dar a uma tesouraria institucional uma resposta clara \u00e0 pergunta \u00abquem paga, e quanto, se algo correr mal\u00bb.<\/p><figure class='wp-block-table'><table><thead><tr><th>Camada<\/th><th>Fornecedor<\/th><th>Cobertura m\u00e1xima<\/th><th>Quando \u00e9 acionada<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Camada 1<\/td><td>Nexus Mutual (seguradora descentralizada externa)<\/td><td>At\u00e9 5 milh\u00f5es de d\u00f3lares por incidente<\/td><td>Cobertura de base, com franquia vari\u00e1vel consoante o TVL do protocolo e a causa do incidente<\/td><\/tr><tr><td>Camada 2<\/td><td>Tesouraria pr\u00f3pria da Liquid Collective<\/td><td>Paga a franquia em eventos \u00e0 escala da rede<\/td><td>Financiada com 0,30% das recompensas totais geradas pela rede<\/td><\/tr><tr><td>Camada 3<\/td><td>Operadores de n\u00f3 individuais<\/td><td>At\u00e9 5 milh\u00f5es de d\u00f3lares por operador, no total at\u00e9 0,30% dos ativos sob gest\u00e3o do protocolo<\/td><td>Cobre incidentes causados pela infraestrutura de um operador espec\u00edfico, antes de acionar a Nexus Mutual<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure><p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00f3gica em camadas \u00e9 a seguinte: se um incidente afetar a rede como um todo, a tesouraria paga a franquia da ap\u00f3lice da Nexus Mutual; se o incidente for causado pela infraestrutura de um operador espec\u00edfico, esse operador paga primeiro, antes de a cobertura de terceiros ser acionada. \u00c9 um desenho que distribui o risco entre tr\u00eas partes com incentivos distintos, o protocolo, o mercado segurador e os operadores individuais, em vez de o concentrar apenas num fundo de reserva do protocolo ou apenas numa ap\u00f3lice externa.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Vale notar que a Liquid Collective \u00e9, tecnicamente, um protocolo de liquid staking, n\u00e3o de restaking; a distin\u00e7\u00e3o importa porque o staking simples s\u00f3 est\u00e1 exposto ao slashing da camada de consenso da Ethereum, n\u00e3o ao risco correlacionado entre m\u00faltiplos AVS descrito atr\u00e1s. Ainda assim, serve de refer\u00eancia \u00fatil sobre como o mercado de seguros de staking em sentido lato est\u00e1 a amadurecer, e \u00e9 razo\u00e1vel esperar que produtos equivalentes, com camadas semelhantes, cheguem tamb\u00e9m ao restaking puro nos pr\u00f3ximos trimestres.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Vozes divergentes: risco menor do que o liquid staking, ou uma bomba-rel\u00f3gio adiada?<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Nem todos concordam sobre a gravidade real deste risco. Sreeram Kannan mant\u00e9m, desde 2023, a posi\u00e7\u00e3o de que o restaking, bem desenhado, \u00e9 \u00abum risco menor do que o liquid staking\u00bb, precisamente porque mecanismos como o Unique Stake Allocation permitem limitar e tornar expl\u00edcita a exposi\u00e7\u00e3o de cada operador, em vez de a deixar impl\u00edcita e mal compreendida, como acontecia nos primeiros protocolos de liquid staking. Do outro lado, Leisinger insiste que a arquitetura em camadas do restaking aumenta, por defini\u00e7\u00e3o, a superf\u00edcie de ataque, independentemente de qu\u00e3o bem isolado esteja o slashing em teoria.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">A verdade est\u00e1 provavelmente algures no meio. O historial de incidentes reais do setor at\u00e9 meados de 2026 aponta para falhas de ponte e de contrato inteligente, n\u00e3o para slashing correlacionado em si: o caso Kelp DAO\/Aave, referido atr\u00e1s, resultou de uma ponte cross-chain mal configurada, n\u00e3o de uma cascata de penaliza\u00e7\u00f5es entre AVS. A recupera\u00e7\u00e3o desse incidente envolveu uma coliga\u00e7\u00e3o informal de protocolos, incluindo a Lido, a pr\u00f3pria ether.fi e a Consensys, al\u00e9m do fundador da Aave, Stani Kulechov, que chegou a comprometer pessoalmente 5.000 ETH para o esfor\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o. Isso ilustra como, na pr\u00e1tica, o setor tem vindo a resolver crises atrav\u00e9s de coordena\u00e7\u00e3o informal entre protagonistas, mais do que atrav\u00e9s de ap\u00f3lices de seguro formais. Sobre at\u00e9 que ponto essa coordena\u00e7\u00e3o ad-hoc \u00e9 sustent\u00e1vel \u00e0 escala, ou se acaba antes em disputas mais formais e morosas, escrevemos em detalhe em <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/post-mortem-cripto-tribunal-eisenberg-tornado-cash\/'>\u00abQuando o post-mortem cripto acaba em tribunal\u00bb<\/a>.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto de maior consenso entre as duas posi\u00e7\u00f5es \u00e9 este: o risco de slashing correlacionado continua, at\u00e9 \u00e0 data, largamente te\u00f3rico. Os produtos de seguro que est\u00e3o a surgir em 2026 parecem, por isso, mais uma resposta preventiva ao medo desse risco, e \u00e0 press\u00e3o competitiva para atrair capital institucional mais avesso a risco, do que uma resposta reativa a perdas j\u00e1 sofridas.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda um terceiro elemento na equa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 precisamente o que Vitalik Buterin tinha em mente em 2023: a possibilidade de um protocolo de restaking se tornar \u00abdemasiado grande para falhar\u00bb, ao ponto de a pr\u00f3pria comunidade se sentir obrigada a organizar um resgate informal sempre que algo corre mal, como aconteceu com o Kelp DAO. Isso cria um incentivo perverso: se os utilizadores souberem, ou suspeitarem, que uma coliga\u00e7\u00e3o de protocolos maiores vai intervir em caso de crise, a disciplina de mercado para avaliar corretamente o risco antes de investir tende a enfraquecer, o que \u00e9 exatamente o argumento original de Buterin contra sobrecarregar o consenso da Ethereum com demasiadas fun\u00e7\u00f5es financeiras interdependentes.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>O que isto significa para as tesourarias corporativas e institucionais<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o do risco de slashing correlacionado deixou de ser apenas uma discuss\u00e3o de nicho entre engenheiros de protocolo, porque cada vez mais capital institucional est\u00e1 a chegar ao setor atrav\u00e9s de vias diretas. Casos como o de uma empresa de tesouraria em ETH que destinou uma fatia significativa das suas reservas a restaking atrav\u00e9s da EigenCloud, ou o de uma criadora de mercado europeia que passou a operar como operadora numa AVS de cr\u00e9dito privado constru\u00edda sobre o EigenLayer, mostram que este deixou de ser um mercado dominado apenas por utilizadores individuais early adopters.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Para empresas que seguem uma estrat\u00e9gia de tesouraria em cripto, como temos vindo a acompanhar em <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/tesourarias-cripto-corporativas-guia-2026\/'>\u00abTesourarias cripto corporativas: o guia completo de 2026\u00bb<\/a>, o c\u00e1lculo \u00e9 distinto do de um utilizador individual: o rendimento adicional do restaking tem de ser justificado perante um conselho de administra\u00e7\u00e3o e, cada vez mais, perante auditores externos e reguladores de mercados de capitais, n\u00e3o apenas perante o apetite de risco do pr\u00f3prio investidor. Isso implica, normalmente, exigir due diligence documentada sobre o modelo de isolamento de risco de cada AVS espec\u00edfico, sobre a exist\u00eancia (ou aus\u00eancia) de cobertura de seguro, e sobre quem, na pr\u00e1tica, responde financeiramente por uma eventual perda.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">A exist\u00eancia de produtos como a ap\u00f3lice da ether.fi com a Nexus Mutual, ou o programa em camadas da Liquid Collective, \u00e9, tamb\u00e9m por isso, mais relevante para este p\u00fablico institucional do que para o utilizador de retalho m\u00e9dio: \u00e9 o tipo de garantia contratual que um departamento de gest\u00e3o de risco corporativo consegue efetivamente avaliar e documentar, ao contr\u00e1rio de um simples argumento de que \u00aba arquitetura \u00e9 segura\u00bb.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Portugal, a CMVM e o vazio regulat\u00f3rio dos seguros de slashing<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Em Portugal, o quadro regulat\u00f3rio do MiCA (Markets in Crypto-Assets) j\u00e1 est\u00e1 em vigor a t\u00edtulo definitivo: o per\u00edodo transit\u00f3rio para prestadores de servi\u00e7os de criptoativos (CASP) terminou a 1 de julho de 2026, ao abrigo da <a href='https:\/\/diariodarepublica.pt\/dr\/detalhe\/lei\/69-2025-992098939'>Lei n.\u00ba 69\/2025, de 22 de dezembro<\/a>, em vigor desde 27 de dezembro de 2025. Nesse enquadramento, o Banco de Portugal \u00e9 respons\u00e1vel pela supervis\u00e3o prudencial e pela autoriza\u00e7\u00e3o de CASP, enquanto a CMVM (Comiss\u00e3o do Mercado de Valores Mobili\u00e1rios) supervisiona a conduta de mercado e deteta pr\u00e1ticas de abuso de mercado, ao abrigo dos T\u00edtulos II e VI do MiCA.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O problema, do ponto de vista regulat\u00f3rio, \u00e9 que nem o MiCA nem a legisla\u00e7\u00e3o nacional foram desenhados a pensar em produtos como uma ap\u00f3lice de seguro contra slashing, emitida por uma seguradora descentralizada sem intermedi\u00e1rio regulado. Uma ap\u00f3lice da Nexus Mutual n\u00e3o \u00e9 um contrato de seguro na ace\u00e7\u00e3o da Diretiva Solv\u00eancia II, nem est\u00e1 sujeita \u00e0 supervis\u00e3o da Autoridade de Supervis\u00e3o de Seguros e Fundos de Pens\u00f5es; \u00e9, tecnicamente, um contrato entre membros de uma mutualidade descentralizada, regido por regras de protocolo e vota\u00e7\u00e3o on-chain, n\u00e3o pela legisla\u00e7\u00e3o nacional de seguros. Para um investidor de retalho portugu\u00eas, isto significa que, ao contr\u00e1rio de um seguro tradicional, n\u00e3o existe o mesmo tipo de prote\u00e7\u00e3o legal, fundo de garantia, ou via de reclama\u00e7\u00e3o junto de um regulador nacional, caso a ap\u00f3lice n\u00e3o pague como esperado.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Esta n\u00e3o \u00e9 uma lacuna exclusivamente portuguesa: \u00e9, no essencial, uma lacuna \u00e0 escala de toda a Uni\u00e3o Europeia, j\u00e1 que o MiCA foi desenhado sobretudo para regular emitentes de criptoativos e prestadores de servi\u00e7os, n\u00e3o produtos de cobertura mutualizada e descentralizada como os aqui descritos. Tamb\u00e9m vale a pena notar que a intera\u00e7\u00e3o direta com um protocolo de restaking, sem intermedi\u00e1rio custodiante, tende a cair fora do \u00e2mbito direto do MiCA, ao passo que servi\u00e7os de staking ou restaking \u00abcomo servi\u00e7o\u00bb, oferecidos por um CASP autorizado, j\u00e1 caem dentro do per\u00edmetro de supervis\u00e3o da CMVM e do Banco de Portugal. \u00c9 uma distin\u00e7\u00e3o que qualquer investidor portugu\u00eas deve procurar perceber antes de decidir onde, e como, expor capital a este setor.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Como avaliar o risco antes de expor capital ao restaking<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Independentemente de se tratar de um utilizador individual ou de uma tesouraria institucional, a literatura acad\u00e9mica e as pr\u00f3prias declara\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria sugerem um conjunto de perguntas pr\u00e1ticas a fazer antes de expor capital a qualquer protocolo de restaking.<\/p><ul class='wp-block-list'><li>A que AVS espec\u00edficos o meu stake est\u00e1, ou pode vir a estar, exposto, e qual a soma acumulada do meu risco de corte te\u00f3rico em todos eles.<\/li><li>O protocolo isola o risco por servi\u00e7o, como o Unique Stake Allocation do EigenLayer, ou exp\u00f5e o stake de forma mais indiferenciada.<\/li><li>Existe alguma cobertura de seguro contratada e, se sim, qual o limite m\u00e1ximo, quem a fornece e que franquias se aplicam.<\/li><li>Qual foi o hist\u00f3rico real de incidentes do protocolo, n\u00e3o apenas de slashing, mas tamb\u00e9m de pontes e contratos inteligentes associados.<\/li><li>Quem, na pr\u00e1tica, responde financeiramente por uma perda: o protocolo, uma tesouraria, uma seguradora externa, ou apenas o pr\u00f3prio utilizador.<\/li><\/ul><p class=\"wp-block-paragraph\">Nenhuma destas perguntas tem, atualmente, uma resposta universalmente satisfat\u00f3ria em todos os protocolos do setor, o que \u00e9, em si mesmo, um dado relevante para qualquer decis\u00e3o de aloca\u00e7\u00e3o de capital.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>O que vem a seguir<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 razo\u00e1vel esperar que 2026 continue a trazer mais produtos de seguro e mais mecanismos de isolamento de risco, \u00e0 medida que mais capital institucional pondera entrar no setor. A SSV Network, cujo modelo j\u00e1 protege por defini\u00e7\u00e3o o capital principal do validador, poderia estender essa l\u00f3gica ao capital delegado atrav\u00e9s de produtos de cobertura equivalentes aos da ether.fi ou da Liquid Collective. Tamb\u00e9m \u00e9 plaus\u00edvel que protocolos de restaking de Bitcoin, como a Babylon, que j\u00e1 permitem a alguns custodiantes institucionais apostar BTC diretamente sem necessidade de bridging, acabem por oferecer estruturas de cobertura semelhantes \u00e0s que j\u00e1 existem do lado da Ethereum.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m \u00e9 expect\u00e1vel mais press\u00e3o, regulat\u00f3ria e de mercado, para tornar o risco correlacionado mais vis\u00edvel e mais f\u00e1cil de auditar externamente, em linha com o que ferramentas de monitoriza\u00e7\u00e3o on-chain j\u00e1 permitem detetar noutros contextos de mercado, como analis\u00e1mos em <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/whale-alerts-baleias-mercado-cripto\/'>\u00abWhale alerts: o que os movimentos das baleias revelam\u00bb<\/a>: capital institucional a sair rapidamente de um protocolo \u00e9, muitas vezes, o primeiro sinal vis\u00edvel de que algo est\u00e1 errado, ainda antes de qualquer comunicado oficial confirmar um incidente.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O mais prov\u00e1vel, olhando para o que j\u00e1 aconteceu com o liquid staking nos \u00faltimos anos, \u00e9 que o setor do restaking s\u00f3 resolva verdadeiramente esta quest\u00e3o depois de um primeiro incidente de slashing correlacionado \u00e0 escala real, tal como o incidente da Kelp DAO\/Aave for\u00e7ou o setor a repensar a forma como avalia o risco de pontes cross-chain aceites como colateral. At\u00e9 l\u00e1, seguros como o da ether.fi funcionam como uma aposta preventiva, mais do que como prova de que o problema j\u00e1 est\u00e1 resolvido.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Perguntas frequentes sobre o risco de slashing no restaking<\/h2><h3 class='wp-block-heading'>O que \u00e9 o risco de slashing correlacionado no restaking?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 a possibilidade de uma \u00fanica falha, como um bug num contrato inteligente ou um operador mal configurado, provocar penaliza\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios servi\u00e7os (AVS) ao mesmo tempo, porque o mesmo stake estava a garantir todos eles em simult\u00e2neo. Ao contr\u00e1rio do slashing simples da camada de consenso da Ethereum, que afeta um validador de cada vez segundo regras fixas, uma falha correlacionada pode multiplicar-se pela quantidade de servi\u00e7os a que um operador est\u00e1 exposto.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>O restaking j\u00e1 tem seguro contra perdas por slashing?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, embora ainda de forma limitada. A ether.fi anunciou, em julho de 2026, uma ap\u00f3lice com a Nexus Mutual que cobre at\u00e9 15.000 ETH em perdas por slashing, descrita como a maior cobertura deste tipo at\u00e9 \u00e0 data. A Liquid Collective, focada em staking simples, opera um programa de cobertura em tr\u00eas camadas, combinando uma seguradora externa, uma tesouraria pr\u00f3pria e compromissos dos operadores de n\u00f3.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>Como \u00e9 que o EigenLayer isola o risco de slashing entre diferentes AVS?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">Atrav\u00e9s de um modelo chamado Operator Sets e Unique Stake Allocation, em que cada operador define, para cada servi\u00e7o a que adere, que fra\u00e7\u00e3o do seu stake fica sujeita a corte por esse servi\u00e7o espec\u00edfico. A regra central \u00e9 que uma unidade de ETH s\u00f3 pode ser cortada por um Operator Set de cada vez, o que localiza o risco em vez de o expor de forma indiferenciada a todos os servi\u00e7os simultaneamente.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>O restaking \u00e9 mais arriscado do que o liquid staking normal?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma quest\u00e3o em aberto. Sreeram Kannan, fundador do EigenLayer, defende que o restaking bem desenhado \u00e9 um risco menor do que o liquid staking, porque a exposi\u00e7\u00e3o de cada operador pode ser tornada expl\u00edcita e limitada. Outros, como Matt Leisinger, da Alluvial, argumentam que cada camada adicional de restaking aumenta necessariamente a superf\u00edcie de ataque, independentemente do isolamento te\u00f3rico do slashing.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>O restaking est\u00e1 regulado em Portugal?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">A intera\u00e7\u00e3o direta com um protocolo de restaking descentralizado tende a cair fora do \u00e2mbito direto do MiCA, que regula sobretudo emitentes e prestadores de servi\u00e7os. J\u00e1 os servi\u00e7os de staking ou restaking oferecidos \u00abcomo servi\u00e7o\u00bb por um prestador autorizado (CASP) caem dentro do per\u00edmetro de supervis\u00e3o da CMVM e do Banco de Portugal. Produtos de seguro descentralizado, como as ap\u00f3lices da Nexus Mutual, n\u00e3o s\u00e3o regulados como contratos de seguro tradicionais em Portugal.<\/p><script type='application\/ld+json'>{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@type\":\"FAQPage\",\"mainEntity\":[{\"@type\":\"Question\",\"name\":\"O que \u00e9 o risco de slashing correlacionado no restaking?\",\"acceptedAnswer\":{\"@type\":\"Answer\",\"text\":\"\u00c9 a possibilidade de uma \u00fanica falha, como um bug num contrato inteligente ou um operador mal configurado, provocar penaliza\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios servi\u00e7os (AVS) ao mesmo tempo, porque o mesmo stake estava a garantir todos eles em simult\u00e2neo. 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