{"id":266,"date":"2026-08-11T16:37:16","date_gmt":"2026-08-11T16:37:16","guid":{"rendered":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/credito-onchain-institucional-wall-street-defi-2026\/"},"modified":"2026-08-11T16:37:16","modified_gmt":"2026-08-11T16:37:16","slug":"credito-onchain-institucional-wall-street-defi-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/credito-onchain-institucional-wall-street-defi-2026\/","title":{"rendered":"Cr\u00e9dito on-chain institucional: quando Wall Street entra na DeFi"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante anos, pedir emprestado on-chain significou uma coisa simples e um pouco circular: depositar Ethereum ou Bitcoin, receber stablecoins em troca e deixar um algoritmo ajustar a taxa a cada bloco. Era cripto a financiar cripto, um circuito fechado que quase nunca tocava a economia real. Em 2026, esse circuito abriu-se de par em par. A Apollo, uma das maiores gestoras de cr\u00e9dito privado do mundo, tem um fundo tokenizado a ser alavancado dentro dos mercados da Morpho. A Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale, banco sist\u00e9mico franc\u00eas, emite uma stablecoin em euros conforme \u00e0 MiCA e empresta-a on-chain. A VanEck, a Franklin Templeton e a Superstate colocam obriga\u00e7\u00f5es do Tesouro norte-americano tokenizadas como garantia na Aave. O cr\u00e9dito on-chain deixou de ser um casino de tokens e passou a ser infraestrutura de cr\u00e9dito.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Esta viragem \u00e9 o terceiro ato de uma hist\u00f3ria que temos acompanhado ao longo do ver\u00e3o. Primeiro veio a modulariza\u00e7\u00e3o, a separa\u00e7\u00e3o entre o motor de um mercado e a gest\u00e3o do seu risco. Depois chegou a <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/taxa-fixa-defi-curva-juro-credito-onchain-2026\/'>curva de juro ao cr\u00e9dito on-chain<\/a>, com taxas fixas e prazos definidos. Agora chega a pe\u00e7a que faltava: as contrapartes. N\u00e3o s\u00e3o protocolos novos que est\u00e3o a redefinir o setor, s\u00e3o os balc\u00f5es que se sentam do outro lado da mesa. E quando o dinheiro que entra \u00e9 de gestoras com centenas de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares sob gest\u00e3o, tudo muda: os incentivos, a liquidez, a supervis\u00e3o e, sobretudo, a natureza do risco. Este texto tenta explicar quem chegou, porque chegou e o que isso significa para quem investe a partir de Portugal.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>De casino cripto a infraestrutura de cr\u00e9dito<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Para medir a dimens\u00e3o da mudan\u00e7a, conv\u00e9m lembrar o ponto de partida. Os primeiros mercados de cr\u00e9dito descentralizado, a Compound e a Aave originais, faziam uma coisa s\u00f3: juntavam depositantes e mutu\u00e1rios num mesmo pool, com uma taxa que subia \u00e0 medida que a utiliza\u00e7\u00e3o aumentava. Todo o colateral era cripto vol\u00e1til, todo o empr\u00e9stimo era sobrecolateralizado e o rendimento vinha quase sempre de quem queria alavancar posi\u00e7\u00f5es em Ethereum ou em altcoins. Era eficiente, era transparente e era, no fundo, um mercado que s\u00f3 falava consigo pr\u00f3prio.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira onda de mudan\u00e7a foi arquitet\u00f3nica. Protocolos como a Morpho e a Euler separaram o motor (o contrato imut\u00e1vel que guarda as regras e executa as liquida\u00e7\u00f5es) da gest\u00e3o de risco (a decis\u00e3o sobre que mercados merecem capital), entregando esta \u00faltima a curadores profissionais. A segunda onda trouxe estrutura temporal: taxas fixas, prazos definidos e uma verdadeira curva de juro on-chain, em vez de uma \u00fanica taxa overnight que muda a cada bloco. A terceira onda, a de agora, n\u00e3o mexe na canaliza\u00e7\u00e3o; muda quem a usa.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O que caracteriza 2026 \u00e9 a chegada em for\u00e7a de tr\u00eas tipos de contraparte que antes ignoravam a DeFi. Primeiro, as gestoras de ativos alternativos, que tokenizam fundos de cr\u00e9dito privado e os usam como garantia. Segundo, os bancos regulados, que emitem stablecoins conformes \u00e0 MiCA e estendem os seus livros de empr\u00e9stimos para a cadeia de blocos. Terceiro, os emitentes de fundos do mercado monet\u00e1rio, que transformam obriga\u00e7\u00f5es do Tesouro em tokens que rendem juros e servem de colateral. O denominador comum \u00e9 o ativo do mundo real, ou RWA, e a sua entrada muda a fisionomia de todo o setor.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Os n\u00fameros de uma corrida silenciosa<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">O cr\u00e9dito continua a ser a maior categoria da DeFi, com dezenas de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em dep\u00f3sitos distribu\u00eddos por v\u00e1rias centenas de protocolos, segundo os agregadores de dados da <a href='https:\/\/defillama.com\/protocols\/lending'>DefiLlama<\/a>. A Aave mant\u00e9m a lideran\u00e7a folgada e concentra mais de metade de toda a d\u00edvida on-chain; a Morpho consolidou-se como segundo maior credor, com mais de um milh\u00e3o e meio de utilizadores e milhares de milh\u00f5es em empr\u00e9stimos ativos. Por baixo destes dois gigantes ficam a Spark (da \u00f3rbita Sky, antiga Maker), a Compound, a Fluid e a Euler, al\u00e9m da Kamino, l\u00edder na Solana.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Estes valores flutuam muito conforme o instante e o m\u00e9todo de contagem (dep\u00f3sitos brutos, valor total bloqueado l\u00edquido, empr\u00e9stimos ativos), pelo que devem ser lidos como ordens de grandeza e n\u00e3o como n\u00fameros fixos. A tabela seguinte resume o mapa, com valores aproximados em d\u00f3lares.<\/p><figure class='wp-block-table'><table><thead><tr><th>Protocolo<\/th><th>Dep\u00f3sitos\/TVL aproximado<\/th><th>Arquitetura<\/th><th>Nota<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Aave<\/td><td>~15 mil milh\u00f5es USD<\/td><td>Banco universal (hub-and-spoke)<\/td><td>Maior credor; abriu a Horizon para RWA institucional<\/td><\/tr><tr><td>Morpho<\/td><td>~11-12 mil milh\u00f5es (dep\u00f3sitos)<\/td><td>Primitivo minimalista + curadores<\/td><td>Motor por tr\u00e1s da Coinbase, Apollo e Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale<\/td><\/tr><tr><td>Spark (Sky)<\/td><td>~7 mil milh\u00f5es<\/td><td>Fork otimizado de stablecoins<\/td><td>Ligado \u00e0 Sky Savings Rate<\/td><\/tr><tr><td>Compound<\/td><td>~2,7 mil milh\u00f5es<\/td><td>Pool monol\u00edtico (V3 Comet)<\/td><td>Pioneiro, hoje estagnado<\/td><\/tr><tr><td>Fluid (Instadapp)<\/td><td>~1,6 mil milh\u00f5es<\/td><td>Smart collateral\/smart debt<\/td><td>Efici\u00eancia de capital elevada<\/td><\/tr><tr><td>Kamino<\/td><td>~1,2 mil milh\u00f5es<\/td><td>Cofres na Solana<\/td><td>L\u00edder fora do universo EVM<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class='wp-block-table__figcaption'>Valores aproximados; variam com o instante e a defini\u00e7\u00e3o. Fonte: DefiLlama.<\/figcaption><\/figure><p class=\"wp-block-paragraph\">O que d\u00e1 sentido a esta corrida \u00e9 um segundo conjunto de n\u00fameros, o dos ativos do mundo real tokenizados. Segundo a plataforma de dados <a href='https:\/\/app.rwa.xyz\/'>rwa.xyz<\/a>, o valor de RWA on-chain, excluindo stablecoins, rondava os 60 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em meados de 2026, cerca do dobro de um ano antes. S\u00f3 os t\u00edtulos do Tesouro norte-americano tokenizados ultrapassaram os 11 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, quando no in\u00edcio de 2023 mal chegavam a 100 milh\u00f5es. O maior fundo do g\u00e9nero, o BUIDL da BlackRock (gerido atrav\u00e9s da Securitize), passou dos 2 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. \u00c9 esta pilha de colateral novo, l\u00edquido em teoria e a render juros, que o cr\u00e9dito on-chain aprendeu a aceitar.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Aave Horizon: o banco universal abre um balc\u00e3o institucional<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">O exemplo mais vis\u00edvel desta converg\u00eancia \u00e9 a Horizon, o mercado institucional que a Aave Labs lan\u00e7ou para permitir que institui\u00e7\u00f5es depositem RWA tokenizados e pe\u00e7am stablecoins emprestadas contra eles, sem terem de vender a posi\u00e7\u00e3o subjacente. Constru\u00edda sobre a v3.3 da Aave, a Horizon aproxima-se de um cofre permissionado onde o colateral s\u00e3o fundos regulados e o empr\u00e9stimo \u00e9 feito em GHO, a stablecoin nativa da Aave, ou em RLUSD, a stablecoin da Ripple.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros j\u00e1 s\u00e3o materiais. De acordo com a <a href='https:\/\/thedefiant.io\/news\/defi\/aave-s-horizon-rwa-market-nears-usd540-million-adds-vaneck-treasury-fund'>The Defiant<\/a>, a Horizon reunia cerca de 540 milh\u00f5es de d\u00f3lares em ativos totais (aproximadamente 470 milh\u00f5es de euros ao c\u00e2mbio de 1,15), com perto de 163 milh\u00f5es emprestados. O Superstate Crypto Carry Fund, ou USCC, contribu\u00eda com cerca de 238 milh\u00f5es, e o fundo de Tesouros da VanEck, o VBILL, com mais de 90 milh\u00f5es. Kyle DaCruz, diretor de produto de ativos digitais da VanEck, resumiu a l\u00f3gica ao afirmar que a integra\u00e7\u00e3o do VBILL na Horizon representa uma evolu\u00e7\u00e3o natural para os t\u00edtulos tokenizados. Uma parte relevante das receitas \u00e9 partilhada com a comunidade: metade vai para a Aave DAO no primeiro ano, caindo depois para 30% no segundo.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">A ambi\u00e7\u00e3o foi assumida em p\u00fablico. Stani Kulechov, fundador da Aave, apresentou um plano para 2026 que coloca a Horizon no centro, com a meta de ultrapassar mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em dep\u00f3sitos e o objetivo de trazer classes de ativos globais atrav\u00e9s de parceiros como a Circle, a Ripple, a Franklin Templeton e a VanEck. Numa <a href='https:\/\/www.theblock.co\/podcasts\/layer-one\/2026-07-15-stani-kulechov-on-aave-v4-avalanche-and-why-rwas-will-hit-100-billion-this-year-408441'>conversa com a The Block<\/a>, Kulechov defendeu que o mercado de RWA pode atingir 100 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares at\u00e9 ao fim do ano. \u00c9 uma previs\u00e3o otimista, mas d\u00e1 a medida do apetite institucional que a Aave diz estar a ver.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Apollo entra na DeFi: cr\u00e9dito privado com alavancagem recursiva<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Se a Horizon mostra o cr\u00e9dito on-chain a aceitar Tesouros como garantia, o caso da Apollo mostra algo mais ousado: cr\u00e9dito privado il\u00edquido a ser alavancado dentro da DeFi. A Apollo, uma das maiores gestoras de cr\u00e9dito alternativo do mundo, tem um fundo de cr\u00e9dito diversificado na ordem dos mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Atrav\u00e9s da Securitize, esse fundo foi tokenizado num ve\u00edculo chamado ACRED, que d\u00e1 exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 carteira subjacente de d\u00edvida corporativa. At\u00e9 aqui, \u00e9 apenas um fundo com um inv\u00f3lucro digital.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O salto acontece quando a Securitize e a Gauntlet montam sobre o ACRED uma estrat\u00e9gia alavancada assente na Morpho. O mecanismo chama-se looping e \u00e9 recursivo: o investidor deposita ACRED como garantia, pede USDC emprestado, usa esse USDC para comprar mais ACRED, volta a depositar e repete o ciclo. Cada volta amplia a exposi\u00e7\u00e3o ao rendimento do cr\u00e9dito privado, que ronda os 7% a 11% ao ano, multiplicando-o duas a tr\u00eas vezes. Um motor de risco quantitativo da Gauntlet monitoriza as taxas e pode desfazer posi\u00e7\u00f5es em condi\u00e7\u00f5es adversas, enquanto or\u00e1culos de valor patrimonial l\u00edquido, fornecidos por servi\u00e7os como a RedStone, informam o contrato sobre quanto vale cada token do fundo.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Os protagonistas n\u00e3o escondem a ambi\u00e7\u00e3o. Paul Frambot, cofundador e diretor executivo da Morpho, afirmou que a estrat\u00e9gia dever\u00e1 entregar a <a href='https:\/\/www.coindesk.com\/markets\/2025\/04\/30\/tokenized-apollo-credit-fund-makes-defi-debut-with-levered-yield-strategy-by-securitize-gauntlet'>DeFi de grau institucional que a ind\u00fastria promete h\u00e1 anos<\/a>, na cobertura da CoinDesk. Reid Simon, respons\u00e1vel de solu\u00e7\u00f5es de DeFi e cr\u00e9dito da Securitize, foi mais prosaico: a ideia, disse, \u00e9 que estes t\u00edtulos sejam plug and play, competitivos com as estrat\u00e9gias de stablecoins em geral. O produto pretende, no fundo, dar a um cup\u00e3o de cr\u00e9dito privado a mesma flexibilidade de um d\u00f3lar digital.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>A banca europeia chega: Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale e o euro on-chain<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Para o leitor portugu\u00eas, o cap\u00edtulo mais relevante talvez n\u00e3o seja americano, mas europeu. A SG-FORGE, o bra\u00e7o de ativos digitais da Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale, escolheu a Morpho como infraestrutura de cr\u00e9dito para as suas duas stablecoins conformes \u00e0 MiCA: a EURCV, indexada ao euro, e a USDCV, indexada ao d\u00f3lar. Pela primeira vez, um banco sist\u00e9mico da zona euro estende o seu livro de empr\u00e9stimos para a cadeia de blocos, num quadro que a pr\u00f3pria SG-FORGE descreve como global, transparente e a funcionar 24 horas por dia.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Os detalhes t\u00e9cnicos importam. Segundo a p\u00e1gina de caso da <a href='https:\/\/morpho.org\/stories\/societe-generale\/'>Morpho<\/a>, os cofres s\u00e3o geridos pela curadora MEV Capital e aceitam como garantia n\u00e3o s\u00f3 ETH e BTC, mas tamb\u00e9m participa\u00e7\u00f5es em fundos do mercado monet\u00e1rio tokenizados, o USTBL e o EUTBL, emitidos pela Spiko. A Flowdesk assegura a liquidez como criador de mercado e a Uniswap serve de montra. O rendimento gerado sobre a EURCV, curado pela Steakhouse Financial, tornou-se acess\u00edvel atrav\u00e9s da Safe, a carteira institucional de autocust\u00f3dia, num movimento <a href='https:\/\/www.theblock.co\/post\/391137\/safelabs-integrates-morpho-vault-eurcv-stablecoin'>noticiado pela The Block<\/a>, e atrav\u00e9s da fintech europeia Deblock.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto estrat\u00e9gico \u00e9 o euro. As stablecoins denominadas em euros t\u00eam sido historicamente subalimentadas face \u00e0s cong\u00e9neres em d\u00f3lares, com pouca utilidade produtiva on-chain. Ter um banco regulado a emitir uma stablecoin em euros e, ao mesmo tempo, a fornecer o mercado de cr\u00e9dito onde ela rende juros muda essa equa\u00e7\u00e3o. Para quem investe em euros, deixa de ser preciso passar sempre pelo d\u00f3lar para participar em cr\u00e9dito on-chain, o que reduz o risco cambial que discutimos noutras an\u00e1lises sobre a <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/reacao-fomc-cripto-nao-treme-fed-2026\/'>rela\u00e7\u00e3o entre a cripto e a pol\u00edtica monet\u00e1ria<\/a>.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>CeDeFi: cofres permissionados e a ponte HashKey<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um padr\u00e3o comum a estes casos: nenhum deles \u00e9 DeFi totalmente aberta e an\u00f3nima. S\u00e3o cofres permissionados, com verifica\u00e7\u00e3o de identidade e acordos legais por tr\u00e1s, uma abordagem h\u00edbrida a que a ind\u00fastria chama CeDeFi, ou finan\u00e7a centralizada-descentralizada. O motor \u00e9 descentralizado e transparente; o acesso \u00e9 filtrado e conforme \u00e0s regras. \u00c9 o compromisso que permite a um fundo regulado tocar em contratos inteligentes sem violar as suas obriga\u00e7\u00f5es.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O exemplo mais recente vem de Hong Kong. Em junho de 2026, a HashKey Chain anunciou uma parceria com a Morpho para construir produtos de cr\u00e9dito institucional e RWA, combinando o enquadramento regulat\u00f3rio do grupo HashKey, detentor de licen\u00e7as de negocia\u00e7\u00e3o de ativos virtuais e de gest\u00e3o de ativos, com o motor de cr\u00e9dito da Morpho. O caso de uso t\u00edpico \u00e9 claro: um fundo registado em Hong Kong que detenha Tesouros norte-americanos tokenizados pode pedir stablecoins emprestadas contra essa posi\u00e7\u00e3o, sem a vender, dentro de um cofre onde s\u00f3 entram participantes verificados. A tabela seguinte compara as quatro iniciativas institucionais que melhor ilustram esta vaga.<\/p><figure class='wp-block-table'><table><thead><tr><th>Iniciativa<\/th><th>Contraparte<\/th><th>Garantia principal<\/th><th>Stablecoin<\/th><th>Rail e curador<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Apollo ACRED<\/td><td>Apollo \/ Securitize<\/td><td>Fundo de cr\u00e9dito privado tokenizado<\/td><td>USDC<\/td><td>Morpho, curadoria Gauntlet<\/td><\/tr><tr><td>SG-FORGE<\/td><td>Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale<\/td><td>ETH, BTC e MMF tokenizados (Spiko)<\/td><td>EURCV \/ USDCV<\/td><td>Morpho, curadoria MEV Capital<\/td><\/tr><tr><td>Aave Horizon<\/td><td>VanEck, Superstate, Janus Henderson<\/td><td>Tesouros e fundos monet\u00e1rios<\/td><td>GHO \/ RLUSD<\/td><td>Aave v3.3<\/td><\/tr><tr><td>HashKey Chain<\/td><td>Grupo HashKey<\/td><td>Tesouros tokenizados (fundos de HK)<\/td><td>Stablecoins diversas<\/td><td>Morpho, cofres permissionados<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class='wp-block-table__figcaption'>Casos representativos da entrada institucional no cr\u00e9dito on-chain em 2026.<\/figcaption><\/figure><h2 class='wp-block-heading'>Porque \u00e9 que uma institui\u00e7\u00e3o prefere pedir emprestado a vender<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta \u00f3bvia \u00e9: porqu\u00ea dar-se a este trabalho? Se um fundo det\u00e9m Tesouros a render, porque n\u00e3o vend\u00ea-los quando precisa de liquidez? A resposta \u00e9 a mesma que move a tesouraria de qualquer grande institui\u00e7\u00e3o. Vender obriga a abdicar do rendimento, pode gerar mais-valias tribut\u00e1veis e desfaz uma posi\u00e7\u00e3o que se quer manter. Pedir emprestado contra essa posi\u00e7\u00e3o preserva o rendimento subjacente, d\u00e1 liquidez imediata e mant\u00e9m a exposi\u00e7\u00e3o. Quando o ativo \u00e9 um Tesouro que rende, por exemplo, 4% ao ano e o custo de pedir stablecoins emprestadas \u00e9 inferior a isso, o diferencial \u00e9 lucro puro.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 esta aritm\u00e9tica que torna o looping t\u00e3o atrativo e t\u00e3o perigoso. Ao empilhar camadas de cr\u00e9dito sobre o mesmo colateral, o investidor transforma um rendimento modesto de cr\u00e9dito privado numa taxa de dois d\u00edgitos. Enquanto as taxas de empr\u00e9stimo se mantiverem abaixo do rendimento do ativo, a m\u00e1quina gira. O problema \u00e9 que essa margem \u00e9 fina e depende de duas coisas que podem virar depressa: o custo do dinheiro e a liquidez do colateral. \u00c9 a diferen\u00e7a entre rendimento sustent\u00e1vel e rendimento alavancado, uma distin\u00e7\u00e3o que j\u00e1 explor\u00e1mos ao separar o <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/rendimento-real-2026-buybacks-conta-euros\/'>rendimento real das emiss\u00f5es inflacion\u00e1rias<\/a>.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O contexto macro europeu enquadra tudo isto. A taxa de facilidade de dep\u00f3sito do <a href='https:\/\/www.ecb.europa.eu\/stats\/policy_and_exchange_rates\/key_ecb_interest_rates\/html\/index.en.html'>Banco Central Europeu<\/a> situa-se em 2,25%, e o euro trocava-se por cerca de 1,15 d\u00f3lares em agosto de 2026. Com o custo do dinheiro em euros relativamente contido, o incentivo para procurar rendimento adicional em cr\u00e9dito on-chain aumenta, e \u00e9 precisamente esse apetite que as stablecoins banc\u00e1rias em euros procuram captar.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>O motor invis\u00edvel: curadores, or\u00e1culos e o pre\u00e7o do NAV<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Nada disto funciona sem tr\u00eas pe\u00e7as que o utilizador raramente v\u00ea. A primeira s\u00e3o os curadores: entidades como a Steakhouse Financial, a Gauntlet, a MEV Capital ou a Sentora, que decidem que mercados recebem dep\u00f3sitos, definem os par\u00e2metros de risco e escolhem os limites de alavancagem. S\u00e3o, na pr\u00e1tica, gestores de carteira que operam sobre um protocolo neutro. A concentra\u00e7\u00e3o de capital institucional nas m\u00e3os de meia d\u00fazia de curadores \u00e9 hoje um dos factos estruturais mais importantes do setor.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda pe\u00e7a s\u00e3o os or\u00e1culos, os servi\u00e7os que dizem ao contrato quanto vale cada ativo. Num mercado de cripto, o pre\u00e7o vem de bolsas l\u00edquidas. Num mercado de RWA, o pre\u00e7o vem do valor patrimonial l\u00edquido do fundo, o chamado NAV, que \u00e9 reportado por um agente e traduzido para a cadeia por or\u00e1culos especializados. Aqui mora um risco subtil: o NAV de um fundo de cr\u00e9dito il\u00edquido n\u00e3o se move como o pre\u00e7o de um token negociado ao segundo. Se o contrato assume um valor que j\u00e1 n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade do mercado, abre-se espa\u00e7o para arbitragens e para d\u00edvida incobr\u00e1vel.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira pe\u00e7a \u00e9 o isolamento. A for\u00e7a do modelo da Morpho \u00e9 que cada mercado \u00e9 isolado: um rebentamento num cofre n\u00e3o contamina os outros. Como notou Rahul Goyal, da Gauntlet, \u00e0 <a href='https:\/\/unchainedcrypto.com\/defi-looping-comes-to-apollos-1-3-billion-credit-fund-what-could-go-wrong\/'>Unchained<\/a>, o rebentamento numa pool n\u00e3o afeta as outras pools nem os outros ativos. \u00c9 uma vantagem real face aos velhos pools monol\u00edticos, onde um ativo t\u00f3xico podia arrastar todo o protocolo. Mas o isolamento s\u00f3 protege quem est\u00e1 fora do cofre afetado; n\u00e3o protege quem l\u00e1 tem dinheiro.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>O elo mais fraco: liquidez il\u00edquida e o problema do liquidante<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui est\u00e1 o calcanhar de Aquiles de toda a constru\u00e7\u00e3o. O cr\u00e9dito privado da Apollo \u00e9, na sua ess\u00eancia, d\u00edvida corporativa il\u00edquida com maturidades longas, de sete a dez anos. O fundo subjacente s\u00f3 permite resgates trimestrais, e mesmo assim limitados a uma pequena percentagem do total. Ora, os mercados on-chain prometem liquida\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea. Existe uma contradi\u00e7\u00e3o fundamental entre um colateral que demora meses a vender e um empr\u00e9stimo que pode ser liquidado em segundos.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Goyal reconheceu esta tens\u00e3o de forma notavelmente franca. Os prime brokers e criadores de mercado, explicou, concordaram em intervir e liquidar os empr\u00e9stimos quando necess\u00e1rio, mas n\u00e3o conseguem vender o colateral subjacente depois de tomarem posse dele e podem ter de segurar esses tokens durante meses antes de os poderem vender. Por outras palavras, um liquidante pode ficar com participa\u00e7\u00f5es num fundo de cr\u00e9dito il\u00edquido que valem 75 d\u00f3lares, para saldar uma d\u00edvida de 50, e depois ter de esperar um trimestre pela janela de resgate, com o valor a poder deteriorar-se entretanto. \u00c9 um risco que recai sobre quem executa a liquida\u00e7\u00e3o e, em \u00faltima an\u00e1lise, sobre quem forneceu a liquidez.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O tema n\u00e3o \u00e9 novo para quem segue a DeFi. Tal como nas <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/seguranca-bridges-elo-mais-fraco-defi-2026\/'>bridges, o elo mais fraco da DeFi<\/a>, o ponto de falha raramente est\u00e1 no contrato principal, que costuma ser auditado e simples; est\u00e1 nas liga\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, nos pressupostos de liquidez e nas contrapartes humanas que t\u00eam de agir sob stress. Um mercado que funciona perfeitamente em condi\u00e7\u00f5es normais pode congelar exatamente no momento em que a liquidez desaparece.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>As cicatrizes de 2025: Stream, Resolv e o risco de curador<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Estes n\u00e3o s\u00e3o medos te\u00f3ricos. Em novembro de 2025, o colapso da Stream Finance mostrou o que acontece quando o modelo de curador falha. A stablecoin xUSD perdeu mais de tr\u00eas quartos do valor em 24 horas, depois de se descobrir uma perda de cerca de 93 milh\u00f5es de d\u00f3lares fora da cadeia. Pior: o xUSD tinha sido reutilizado como colateral alavancado noutros protocolos, avaliado a um d\u00f3lar fixo por or\u00e1culos que n\u00e3o refletiam a queda, o que espalhou centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares de exposi\u00e7\u00e3o pela Morpho, pela Euler e pela Silo. A stablecoin deUSD da Elixir, que tinha emprestado \u00e0 Stream boa parte das suas reservas, foi praticamente aniquilada.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Poucos meses depois, o epis\u00f3dio da Resolv refor\u00e7ou a li\u00e7\u00e3o sobre or\u00e1culos. Um atacante que comprometeu uma chave de servi\u00e7o na infraestrutura de nuvem cunhou dezenas de milh\u00f5es da stablecoin USR e, aproveitando um pre\u00e7o fixo mal calibrado num token derivado, transformou algumas centenas de milhares de d\u00f3lares em cerca de 25 milh\u00f5es em menos de vinte minutos. V\u00e1rios protocolos absorveram d\u00edvida incobr\u00e1vel ou suspenderam mercados. Foi, por diferentes contagens, a quarta falha de or\u00e1culo com pre\u00e7o fixo em pouco mais de um ano.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">A moral destes casos \u00e9 desconfort\u00e1vel para a narrativa institucional: a maior parte das perdas recentes n\u00e3o veio de contratos mal escritos, mas de decis\u00f5es humanas, pressupostos de pre\u00e7o e gest\u00e3o de risco. \u00c9 a diferen\u00e7a que a <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/anatomia-post-mortem-falha-nao-e-codigo-2026\/'>anatomia de um post-mortem<\/a> tenta captar: quando o dinheiro institucional entra, os montantes em jogo crescem, mas os pontos de falha continuam a ser os curadores, os or\u00e1culos e a liquidez, n\u00e3o o c\u00f3digo.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Regula\u00e7\u00e3o: a MiCA, a CMVM e a fronteira que ningu\u00e9m supervisiona<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista europeu, h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que o investidor tem de interiorizar. A MiCA regula os emitentes de criptoativos e os prestadores de servi\u00e7os, os chamados CASP, mas n\u00e3o regula os protocolos DeFi verdadeiramente aut\u00f3nomos. Quando algu\u00e9m interage diretamente com um contrato inteligente, sem intermedi\u00e1rio, est\u00e1 fora do per\u00edmetro de supervis\u00e3o e n\u00e3o beneficia de qualquer fundo de garantia. Um relat\u00f3rio conjunto da EBA e da ESMA classificou mesmo a DeFi pura como um segmento de nicho, respons\u00e1vel por uma fra\u00e7\u00e3o pequena do valor global dos criptoativos, e a Comiss\u00e3o Europeia n\u00e3o a colocou entre as suas prioridades imediatas.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00e9 o ponto delicado dos casos institucionais. A stablecoin EURCV da Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale \u00e9 conforme \u00e0 MiCA porque \u00e9 emitida por uma entidade regulada; o cofre da Morpho onde ela circula, esse, \u00e9 software aut\u00f3nomo. A parte regulada e a parte n\u00e3o regulada convivem no mesmo produto. A pr\u00f3pria Comiss\u00e3o abriu, em maio de 2026, uma <a href='https:\/\/finance.ec.europa.eu\/regulation-and-supervision\/consultations-0\/targeted-consultation-review-mica-regulation_en'>consulta sobre a revis\u00e3o da MiCA<\/a>, com respostas previstas para o fim de agosto, precisamente para debater onde deve passar a fronteira entre o regulado e o n\u00e3o regulado.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Em Portugal, a supervis\u00e3o reparte-se entre a CMVM, respons\u00e1vel pela conduta de mercado, e o Banco de Portugal, encarregado do registo dos prestadores e das quest\u00f5es ligadas a stablecoins. A lei que transp\u00f5e o enquadramento, a Lei n.\u00ba 69\/2025, est\u00e1 em vigor desde o fim de dezembro de 2025, e o regime transit\u00f3rio para os antigos VASP terminou em 1 de julho de 2026. A CMVM mant\u00e9m, no seu Portal do Investidor, o guia <a href='https:\/\/www.cmvm.pt\/'>Criptoativos: o que precisa de saber<\/a>, que continua a ser a refer\u00eancia para quem quer perceber os limites da prote\u00e7\u00e3o legal. A mensagem central desse guia mant\u00e9m-se v\u00e1lida: um empr\u00e9stimo on-chain n\u00e3o \u00e9 um dep\u00f3sito banc\u00e1rio.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>O que muda para o investidor portugu\u00eas<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Para o leitor que investe a partir de Portugal, a institucionaliza\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito on-chain traz oportunidades e armadilhas em partes iguais. Do lado positivo, a chegada de stablecoins em euros conformes \u00e0 MiCA reduz o atrito cambial e abre a porta a rendimentos que antes exigiam exposi\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar. Do lado negativo, a presen\u00e7a de nomes como a Apollo, a BlackRock ou a Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale pode gerar uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. O selo de um banco regulado no emitente da stablecoin n\u00e3o estende garantia nenhuma ao cofre de cr\u00e9dito onde ela \u00e9 emprestada.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Conv\u00e9m reter tr\u00eas ideias. Primeira: o rendimento vem de risco real, seja o risco de cr\u00e9dito da d\u00edvida subjacente, o risco de liquidez do colateral ou o risco de que um curador se engane. N\u00e3o h\u00e1 almo\u00e7os gr\u00e1tis, e uma taxa de dois d\u00edgitos sobre cr\u00e9dito privado alavancado \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, uma taxa com risco de dois d\u00edgitos. Segunda: n\u00e3o existe Fundo de Garantia de Dep\u00f3sitos on-chain; se o cofre acumula d\u00edvida incobr\u00e1vel, a perda recai sobre os fornecedores de liquidez, n\u00e3o sobre um seguro p\u00fablico. Terceira: a liquidez prometida pode evaporar-se no pior momento, como o problema do liquidante deixa claro.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Isto n\u00e3o significa fugir do setor, significa dimension\u00e1-lo. O cr\u00e9dito on-chain institucional \u00e9 uma classe de risco a s\u00e9rio, mais pr\u00f3xima do cr\u00e9dito privado tradicional do que de uma conta poupan\u00e7a. Deve ocupar, numa carteira, o espa\u00e7o que se reservaria a um investimento alternativo il\u00edquido, e n\u00e3o o espa\u00e7o da liquidez de emerg\u00eancia. Quem quiser aprofundar a leitura de sinais de mercado encontra na nossa cobertura ferramentas para o fazer com m\u00e9todo.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Como avaliar um mercado de cr\u00e9dito on-chain institucional<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Perante um cofre que promete rendimento, vale a pena percorrer uma lista de verifica\u00e7\u00e3o antes de depositar um \u00fanico euro. As perguntas certas revelam quase sempre o que a taxa anunciada esconde.<\/p><ul class='wp-block-list'><li>Quem \u00e9 o curador? Tem historial, capital pr\u00f3prio em risco e responsabilidade clara pelas decis\u00f5es de alavancagem?<\/li><li>Qual \u00e9 o colateral e, sobretudo, qual \u00e9 a sua liquidez real? Vende-se em minutos ou em trimestres?<\/li><li>Como \u00e9 definido o pre\u00e7o? O or\u00e1culo usa mercado l\u00edquido, valor patrimonial l\u00edquido reportado ou um pre\u00e7o fixo codificado, a fonte de v\u00e1rias das falhas recentes?<\/li><li>Os mercados s\u00e3o isolados? Um problema num cofre contamina os outros ou fica contido?<\/li><li>Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de resgate do ativo subjacente e batem certo com a liquidez prometida on-chain?<\/li><li>Existe um inv\u00f3lucro regulat\u00f3rio, e o que \u00e9 que ele cobre de facto? O emitente da stablecoin estar regulado n\u00e3o significa que o cr\u00e9dito esteja protegido.<\/li><li>O rendimento vem de juros pagos por mutu\u00e1rios reais ou de incentivos em tokens que podem terminar a qualquer momento?<\/li><\/ul><p class=\"wp-block-paragraph\">Nenhuma destas perguntas garante seguran\u00e7a, mas todas juntas ajudam a distinguir um mercado s\u00f3lido de um esquema que s\u00f3 espera o primeiro choque de liquidez para revelar o que estava escondido.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Perspetivas at\u00e9 ao fim de 2026<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">A dire\u00e7\u00e3o parece tra\u00e7ada. A Coinbase j\u00e1 encaminhou milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em empr\u00e9stimos de USDC atrav\u00e9s da Morpho, e mais bancos europeus estudam seguir o caminho da Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale. Os fundos do mercado monet\u00e1rio tokenizados continuam a crescer e s\u00e3o o colateral preferido para esta nova vaga, porque combinam rendimento e, em teoria, liquidez. Se a previs\u00e3o de Kulechov de 100 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em RWA se concretizar, o cr\u00e9dito on-chain deixar\u00e1 de ser uma curiosidade para passar a ser um canal de financiamento com peso pr\u00f3prio.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Restam duas inc\u00f3gnitas grandes. A primeira \u00e9 regulat\u00f3ria: a revis\u00e3o da MiCA e a defini\u00e7\u00e3o da fronteira do supervision\u00e1vel v\u00e3o determinar quanto desta atividade fica dentro ou fora do per\u00edmetro europeu. A segunda \u00e9 de resist\u00eancia: nenhum destes mercados institucionais passou ainda por um verdadeiro choque de liquidez \u00e0 escala, com liquidantes a terem de absorver colateral il\u00edquido em massa. At\u00e9 esse teste chegar, a prud\u00eancia recomenda tratar os rendimentos anunciados como compensa\u00e7\u00e3o por risco ainda n\u00e3o totalmente mapeado. Para enquadrar o calend\u00e1rio que vem a\u00ed, das decis\u00f5es monet\u00e1rias \u00e0s datas regulat\u00f3rias, vale a pena acompanhar as nossas <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/taxa-fixa-defi-curva-juro-credito-onchain-2026\/'>an\u00e1lises regulares do cr\u00e9dito on-chain<\/a>.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nota final sobre pre\u00e7os, para dar contexto de mercado. Em 11 de agosto de 2026, o token de governa\u00e7\u00e3o da Aave, o AAVE, trocava-se por cerca de <a href='https:\/\/www.coingecko.com\/en\/coins\/aave\/eur'>75,22 euros<\/a>, e o token da Morpho, o MORPHO, por perto de <a href='https:\/\/www.coingecko.com\/en\/coins\/morpho\/eur'>1,69 euros<\/a>, segundo a CoinGecko. S\u00e3o valores modestos face \u00e0 atividade que estes protocolos movimentam, um lembrete de que o valor do token e o valor da rede nem sempre andam a par.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Perguntas frequentes<\/h2><h3 class='wp-block-heading'>O que \u00e9 o cr\u00e9dito on-chain institucional?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o uso de protocolos de cr\u00e9dito descentralizado, como a Aave e a Morpho, por parte de institui\u00e7\u00f5es financeiras tradicionais. Em vez de cripto a financiar cripto, entram gestoras de cr\u00e9dito privado, bancos e emitentes de fundos, que colocam ativos do mundo real tokenizados (Tesouros, cr\u00e9dito privado, fundos monet\u00e1rios) como garantia e pedem stablecoins emprestadas contra eles, normalmente em cofres permissionados com verifica\u00e7\u00e3o de identidade.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>A Aave Horizon \u00e9 segura para investidores de retalho?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">A Horizon foi desenhada para institui\u00e7\u00f5es e assenta em acesso permissionado, pelo que o investidor de retalho n\u00e3o interage com ela como interagiria com um mercado aberto. Mesmo para quem tem acesso, n\u00e3o \u00e9 um produto sem risco: envolve colateral tokenizado, or\u00e1culos de valor patrimonial l\u00edquido e risco de liquidez. N\u00e3o existe fundo de garantia; eventuais perdas por d\u00edvida incobr\u00e1vel recaem sobre os fornecedores de liquidez.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>O que \u00e9 a stablecoin EURCV da Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">A EURCV, ou EUR CoinVertible, \u00e9 uma stablecoin indexada ao euro emitida pela SG-FORGE, o bra\u00e7o de ativos digitais da Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale, em conformidade com a MiCA. Em 2026, a SG-FORGE passou a usar a Morpho como infraestrutura de cr\u00e9dito para a EURCV e a sua cong\u00e9nere em d\u00f3lares, a USDCV, permitindo emprestar e pedir emprestado on-chain contra garantias como ETH, BTC e fundos monet\u00e1rios tokenizados.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>Os empr\u00e9stimos DeFi est\u00e3o cobertos pelo Fundo de Garantia de Dep\u00f3sitos?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o. Um empr\u00e9stimo ou dep\u00f3sito num protocolo DeFi n\u00e3o \u00e9 um dep\u00f3sito banc\u00e1rio e n\u00e3o est\u00e1 coberto por qualquer fundo de garantia de dep\u00f3sitos. Se um mercado acumular d\u00edvida incobr\u00e1vel, por falha de um curador, de um or\u00e1culo ou por falta de liquidez, a perda \u00e9 suportada por quem forneceu o capital. O facto de o emitente de uma stablecoin ser um banco regulado n\u00e3o estende essa prote\u00e7\u00e3o ao mercado de cr\u00e9dito onde ela \u00e9 usada.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>Como \u00e9 que a MiCA e a CMVM regulam o cr\u00e9dito on-chain?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">A MiCA regula os emitentes de criptoativos e os prestadores de servi\u00e7os (CASP), mas n\u00e3o os protocolos DeFi verdadeiramente aut\u00f3nomos, que ficam fora do per\u00edmetro de supervis\u00e3o. Em Portugal, a CMVM supervisiona a conduta de mercado e o Banco de Portugal trata do registo dos prestadores e das stablecoins, ao abrigo da Lei n.\u00ba 69\/2025. A intera\u00e7\u00e3o direta com um contrato inteligente continua a ser da responsabilidade e do risco do utilizador.<\/p><script type='application\/ld+json'>{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@type\":\"FAQPage\",\"mainEntity\":[{\"@type\":\"Question\",\"name\":\"O que \u00e9 o cr\u00e9dito on-chain institucional?\",\"acceptedAnswer\":{\"@type\":\"Answer\",\"text\":\"\u00c9 o uso de protocolos de cr\u00e9dito descentralizado, como a Aave e a Morpho, por parte de institui\u00e7\u00f5es financeiras tradicionais. Entram gestoras de cr\u00e9dito privado, bancos e emitentes de fundos, que colocam ativos do mundo real tokenizados (Tesouros, cr\u00e9dito privado, fundos monet\u00e1rios) como garantia e pedem stablecoins emprestadas contra eles, normalmente em cofres permissionados com verifica\u00e7\u00e3o de identidade.\"}},{\"@type\":\"Question\",\"name\":\"A Aave Horizon \u00e9 segura para investidores de retalho?\",\"acceptedAnswer\":{\"@type\":\"Answer\",\"text\":\"A Horizon foi desenhada para institui\u00e7\u00f5es e assenta em acesso permissionado, pelo que o investidor de retalho n\u00e3o interage com ela como interagiria com um mercado aberto. Mesmo para quem tem acesso, envolve colateral tokenizado, or\u00e1culos de valor patrimonial l\u00edquido e risco de liquidez. N\u00e3o existe fundo de garantia; eventuais perdas por d\u00edvida incobr\u00e1vel recaem sobre os fornecedores de liquidez.\"}},{\"@type\":\"Question\",\"name\":\"O que \u00e9 a stablecoin EURCV da Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale?\",\"acceptedAnswer\":{\"@type\":\"Answer\",\"text\":\"A EURCV, ou EUR CoinVertible, \u00e9 uma stablecoin indexada ao euro emitida pela SG-FORGE, o bra\u00e7o de ativos digitais da Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale, em conformidade com a MiCA. Em 2026, a SG-FORGE passou a usar a Morpho como infraestrutura de cr\u00e9dito para a EURCV e a USDCV, permitindo emprestar e pedir emprestado on-chain contra garantias como ETH, BTC e fundos monet\u00e1rios tokenizados.\"}},{\"@type\":\"Question\",\"name\":\"Os empr\u00e9stimos DeFi est\u00e3o cobertos pelo Fundo de Garantia de Dep\u00f3sitos?\",\"acceptedAnswer\":{\"@type\":\"Answer\",\"text\":\"N\u00e3o. Um empr\u00e9stimo ou dep\u00f3sito num protocolo DeFi n\u00e3o \u00e9 um dep\u00f3sito banc\u00e1rio e n\u00e3o est\u00e1 coberto por qualquer fundo de garantia de dep\u00f3sitos. Se um mercado acumular d\u00edvida incobr\u00e1vel, por falha de um curador, de um or\u00e1culo ou por falta de liquidez, a perda \u00e9 suportada por quem forneceu o capital. O facto de o emitente de uma stablecoin ser um banco regulado n\u00e3o estende essa prote\u00e7\u00e3o ao mercado de cr\u00e9dito.\"}},{\"@type\":\"Question\",\"name\":\"Como \u00e9 que a MiCA e a CMVM regulam o cr\u00e9dito on-chain?\",\"acceptedAnswer\":{\"@type\":\"Answer\",\"text\":\"A MiCA regula os emitentes de criptoativos e os prestadores de servi\u00e7os (CASP), mas n\u00e3o os protocolos DeFi aut\u00f3nomos, que ficam fora do per\u00edmetro de supervis\u00e3o. Em Portugal, a CMVM supervisiona a conduta de mercado e o Banco de Portugal trata do registo dos prestadores e das stablecoins, ao abrigo da Lei n.\u00ba 69\/2025. A intera\u00e7\u00e3o direta com um contrato inteligente continua a ser da responsabilidade e do risco do utilizador.\"}}]}<\/script><p class=\"wp-block-paragraph\">Por Yuki Tanaka, editor de DeFi e mercados on-chain da HOGE Wire.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Apollo, a Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale e a VanEck trouxeram cr\u00e9dito privado e Tesouros tokenizados para a Aave e a Morpho. O cr\u00e9dito on-chain tornou-se institucional, e o risco mudou de forma.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":267,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-266","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-defi-on-chain"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/267"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}