{"id":637,"date":"2026-09-29T16:40:47","date_gmt":"2026-09-29T16:40:47","guid":{"rendered":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/gmx-rendimento-real-origem-perdeu-trono-2026\/"},"modified":"2026-09-29T16:40:47","modified_gmt":"2026-09-29T16:40:47","slug":"gmx-rendimento-real-origem-perdeu-trono-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hoge.gg\/pt\/gmx-rendimento-real-origem-perdeu-trono-2026\/","title":{"rendered":"GMX: o pioneiro do rendimento real que perdeu o trono"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma personagem que aparece em quase todos os artigos que este jornal escreveu sobre rendimento real nas \u00faltimas semanas, sempre de passagem, sempre como nota de rodap\u00e9: \u00abo precedente GMX\u00bb. Quando explic\u00e1mos porque \u00e9 que a recompra de 70 milh\u00f5es da Jupiter n\u00e3o moveu o pre\u00e7o, ou porque \u00e9 que a receita da Solana <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/rendimento-real-solana-receita-onchain-token-2026\/'>quase n\u00e3o chega ao token<\/a>, a GMX estava l\u00e1, citada como o exemplo original. Nunca cont\u00e1mos a sua hist\u00f3ria. Vale a pena, porque foi a GMX que, em 2022, deu nome \u00e0 coisa.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O rendimento real (real yield) nasceu como rea\u00e7\u00e3o a um desastre. Depois de a bolha das \u00abquintas de rendimento\u00bb rebentar em 2022, com programas que prometiam 20% ao ano pagos em tokens acabados de cunhar, a DeFi precisava de uma ideia diferente: pagar as pessoas com receita a s\u00e9rio, em ativos que se podem gastar, e n\u00e3o com infla\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada de juro. A GMX, uma bolsa descentralizada de perp\u00e9tuos no Arbitrum, tornou-se o cartaz dessa ideia. Distribu\u00eda 70% das comiss\u00f5es a quem punha liquidez e 30% a quem fazia staking do token, tudo pago em ETH e AVAX. N\u00e3o em GMX.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Quatro anos depois, a GMX \u00e9 uma sombra. O token vale cerca de 8 d\u00f3lares (perto de 7 euros), com uma capitaliza\u00e7\u00e3o a rondar os 82 milh\u00f5es de d\u00f3lares e o lugar #334 do mercado, <a href='https:\/\/www.coingecko.com\/en\/coins\/gmx'>91% abaixo do m\u00e1ximo hist\u00f3rico<\/a> de 91 d\u00f3lares. No mesmo per\u00edodo, a Hyperliquid, que copiou e aperfei\u00e7oou o modelo, tornou-se o <a href='https:\/\/finance.yahoo.com\/markets\/crypto\/articles\/hyperliquid-dominates-2026-crypto-revenue-131527497.html'>projeto cripto com mais receita de 2026<\/a>, com cerca de 429 milh\u00f5es de d\u00f3lares acumulados no ano. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de como se inventa uma categoria e se perde o trono, e do que isso ensina a quem hoje avalia um \u00abrendimento real\u00bb.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>O teste que n\u00e3o muda: sobreviver ao token a zero<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de contar a hist\u00f3ria, conv\u00e9m fixar a defini\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 ela que separa o rendimento real de tudo o resto. Um rendimento \u00e9 real quando vem da receita que o protocolo cobra a quem o usa (comiss\u00f5es de troca, juros de empr\u00e9stimo, funding de perp\u00e9tuos, cup\u00f5es de ativos do mundo real) e n\u00e3o da emiss\u00e3o de novos tokens. O teste mental \u00e9 simples e n\u00e3o mudou desde 2022: se o token do protocolo fosse a zero amanh\u00e3, o rendimento continuava a existir? Se sim, \u00e9 receita. Se n\u00e3o, \u00e9 subs\u00eddio, uma forma de a comunidade se pagar a si pr\u00f3pria com dilui\u00e7\u00e3o.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Este cluster de artigos foi acrescentando dois testes ao primeiro. O segundo \u00e9 o de descontar os incentivos: um protocolo pode gerar receita a s\u00e9rio e mesmo assim pagar aos utilizadores mais em pontos, airdrops e emiss\u00f5es do que aquilo que ganha, e nesse caso o \u00abrendimento\u00bb l\u00edquido \u00e9 negativo. O terceiro pergunta se a receita dura: comiss\u00f5es que dependem de um mercado de memecoins em euforia n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa que o cup\u00e3o de um bilhete do Tesouro. A GMX \u00e9 o s\u00edtio perfeito para aplicar os tr\u00eas, porque foi a primeira a passar no primeiro e, anos mais tarde, a trope\u00e7ar no terceiro. A sua trajet\u00f3ria \u00e9, no fundo, um manual de tudo o que pode correr bem e mal com um rendimento on-chain.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>2022: quando a DeFi trocou as quintas Ponzi pelo caixa<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Para perceber a GMX \u00e9 preciso lembrar o ano em que apareceu como estrela. O ver\u00e3o de 2022 foi brutal. A Terra e o seu protocolo Anchor, que pagava quase 20% sobre a stablecoin UST, tinham colapsado em maio, arrastando fundos e credores por todo o setor. As \u00abquintas de rendimento\u00bb que dominavam a DeFi partilhavam todas o mesmo defeito estrutural: pagavam juros alt\u00edssimos em tokens pr\u00f3prios que s\u00f3 valiam enquanto entrasse dinheiro novo. Era um comboio que andava desde que houvesse carris \u00e0 frente; quando o dinheiro novo parou, os rendimentos evaporaram-se e os tokens foram a zero, um a seguir ao outro.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse vazio que a express\u00e3o \u00abreal yield\u00bb pegou, sobretudo entre agosto e setembro de 2022. A <a href='https:\/\/cointelegraph.com\/magazine\/defi-abandons-ponzinomics-real-yield\/'>Cointelegraph escreveu que a DeFi abandonava a \u00abponzinomics\u00bb<\/a> em favor de protocolos que partilhavam receita verdadeira; a <a href='https:\/\/cryptobriefing.com\/real-yield-mania-hits-defi-five-projects-watch\/'>CryptoBriefing falava de \u00abmania do rendimento real\u00bb<\/a> e listava os projetos a seguir. Quatro nomes apareciam quase sempre: a GMX, a Synthetix (que reformulou a tokenomics para pagar receita aos detentores de SNX), a Gains Network (o gTrade) e a dYdX. A GMX era o mais f\u00e1cil de explicar, e por isso o mais citado: cobrava por cada troca e por cada posi\u00e7\u00e3o alavancada, e devolvia esse dinheiro a quem l\u00e1 estava. Sem promessas de rendimento futuro, sem tokens de recompensa a inundar o mercado. Era, para os padr\u00f5es da \u00e9poca, quase aborrecido de t\u00e3o s\u00f3lido.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>70\/30: pagar em ETH, n\u00e3o em GMX<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">A GMX foi lan\u00e7ada em setembro de 2021 no Arbitrum, a partir de um protocolo anterior chamado Gambit, e expandiu-se ao Avalanche no in\u00edcio de 2022. O desenho era invulgarmente honesto para a \u00e9poca. Cada troca ou posi\u00e7\u00e3o alavancada pagava uma comiss\u00e3o, e essa comiss\u00e3o era dividida em duas: 70% para quem fornecia liquidez (os detentores do token GLP) e 30% para quem fazia staking do GMX. O ponto decisivo, aquele que fez a categoria, era a moeda do pagamento: as comiss\u00f5es chegavam em ETH no Arbitrum e em AVAX no Avalanche, <a href='https:\/\/cryptobriefing.com\/real-yield-mania-hits-defi-five-projects-watch\/'>ativos que um detentor pode gastar<\/a>, e n\u00e3o em mais GMX emitido para o efeito.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Parece um detalhe t\u00e9cnico e \u00e9, na verdade, a diferen\u00e7a entre um neg\u00f3cio e um esquema. Um protocolo que paga \u00abrendimento\u00bb no seu pr\u00f3prio token est\u00e1 a imprimir a moeda com que se financia; o valor que d\u00e1 com uma m\u00e3o tira-o com a outra, atrav\u00e9s da dilui\u00e7\u00e3o. A GMX, ao pagar em ETH, tinha de ganhar mesmo o dinheiro antes de o distribuir. Passava no teste do token a zero: se o GMX valesse zero, os fornecedores de liquidez do GLP continuavam a receber a sua parte das comiss\u00f5es em ETH, porque essa parte n\u00e3o dependia do pre\u00e7o do token. Em 2022, isso era radical. Hoje \u00e9 o padr\u00e3o que a Hyperliquid, a Aave e outras seguem, cada uma \u00e0 sua maneira, mas foi a GMX que provou que dava para o fazer \u00e0 escala, com liquidez profunda e volumes que, s\u00f3 at\u00e9 dezembro de 2022, j\u00e1 ultrapassavam os 80 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares negociados.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>esGMX e multiplier points: o desenho para n\u00e3o despejar<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">A GMX n\u00e3o se limitou a pagar em ETH. Construiu um mecanismo para desencorajar quem recebia de vender logo. Al\u00e9m da parte em ETH ou AVAX, quem fazia staking recebia esGMX (GMX \u00abem cust\u00f3dia\u00bb, escrowed), uma vers\u00e3o do token que s\u00f3 se convertia em GMX l\u00edquido ao longo de um per\u00edodo de aquisi\u00e7\u00e3o de cerca de um ano, e ainda os chamados multiplier points, pontos que aumentavam a fatia de comiss\u00f5es de quem mantinha a posi\u00e7\u00e3o em vez de a desfazer. Vender implicava perder esses pontos acumulados, ou seja, abdicar de rendimento futuro.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O desenho era engenhoso e tinha um custo. Do lado bom, alinhava os detentores com o protocolo: o rendimento em dinheiro a s\u00e9rio vinha acompanhado de um incentivo para n\u00e3o despejar o token, o que estabilizava a base de stakers e reduzia a press\u00e3o vendedora cr\u00f3nica que afunda tantos projetos. Do lado mau, criava uma armadilha de sa\u00edda, uma vers\u00e3o suave do que a economia comportamental chama custo afundado: quanto mais tempo se ficava, mais caro parecia sair, o que mantinha capital preso mesmo quando o neg\u00f3cio come\u00e7ou a encolher. A li\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 se percebe com o benef\u00edcio da dist\u00e2ncia, \u00e9 que alinhar detentores n\u00e3o \u00e9 o mesmo que criar procura nova. Os multiplier points premiavam quem j\u00e1 l\u00e1 estava; n\u00e3o traziam o trader seguinte. E, num mercado onde a aten\u00e7\u00e3o e a liquidez migram depressa, foi o trader seguinte que decidiu o jogo.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Os quatro pioneiros e o que lhes aconteceu<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Vale a pena olhar para os quatro nomes de 2022 lado a lado, porque a dist\u00e2ncia de quatro anos \u00e9 a melhor prova de sustentabilidade que existe. Todos partilhavam receita real; nem todos sobreviveram da mesma forma, e nenhum manteve a lideran\u00e7a.<\/p><figure class='wp-block-table'><table><thead><tr><th>Protocolo<\/th><th>Modelo<\/th><th>Como paga<\/th><th>Onde est\u00e1 em 2026<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>GMX<\/td><td>Perp\u00e9tuos, cofre de liquidez GLP\/GM<\/td><td>70% aos LP, 30% aos stakers, em ETH\/AVAX<\/td><td>Vivo mas marginal; ~82 milh\u00f5es de capitaliza\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td>Synthetix<\/td><td>Ativos sint\u00e9ticos e derivados<\/td><td>Comiss\u00f5es aos detentores de SNX que d\u00e3o colateral<\/td><td>Sobrevive, muito abaixo do pico<\/td><\/tr><tr><td>Gains Network (gTrade)<\/td><td>Perp\u00e9tuos com cofre de colateral<\/td><td>Comiss\u00f5es ao cofre e aos stakers de GNS<\/td><td>De nicho, ainda operacional<\/td><\/tr><tr><td>dYdX<\/td><td>Perp\u00e9tuos (livro de ordens, cadeia pr\u00f3pria)<\/td><td>Comiss\u00f5es e recompensas; emiss\u00f5es at\u00e9 2026<\/td><td>Ofuscado pela Hyperliquid<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure><p class=\"wp-block-paragraph\">O padr\u00e3o salta \u00e0 vista: todos estes protocolos foram ultrapassados, e o vencedor de 2026 (a Hyperliquid) nem sequer existia em 2022. Ter chegado primeiro \u00e0 ideia de rendimento real n\u00e3o protegeu nenhum deles. \u00c9 um aviso \u00fatil para quem hoje compra um token s\u00f3 porque \u00abtem receita real\u00bb: a receita \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, n\u00e3o suficiente. O mercado n\u00e3o paga um pr\u00e9mio por ter tido a ideia certa primeiro; paga por continuar a ter os clientes.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>GLP: quando quem d\u00e1 liquidez \u00e9 a casa<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">O motor da GMX era o GLP, um cofre \u00fanico que continha uma cesta de ativos (ETH, BTC embrulhado, stablecoins) e que servia de contraparte a todos os traders da plataforma. Quem depositava no GLP tornava-se, na pr\u00e1tica, a casa do casino: ganhava as comiss\u00f5es de troca e de abertura de posi\u00e7\u00f5es e, al\u00e9m disso, ficava com o lado oposto das apostas alavancadas. Quando os traders perdiam, o GLP ganhava; quando os traders ganhavam muito, o GLP pagava. Era uma forma elegante de concentrar toda a liquidez num s\u00f3 s\u00edtio, mas transferia para o fornecedor de liquidez um risco que muitos n\u00e3o perceberam que estavam a correr.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00e9 um ponto que o entusiasmo com o \u00abrendimento real\u00bb tende a esconder. A parte das comiss\u00f5es era, de facto, receita real e n\u00e3o emiss\u00e3o. Mas a outra fonte de retorno do GLP, o resultado l\u00edquido contra os traders, \u00e9 um rendimento com risco de mercado embutido: em per\u00edodos de tend\u00eancia forte, quando os traders acertam em coro, um cofre destes pode sofrer perdas que apagam meses de comiss\u00f5es. \u00c9 a mesma estrutura que hoje encontramos no JLP da Jupiter, onde os fornecedores de liquidez est\u00e3o estruturalmente do lado curto face aos traders. Quem avalia estes rendimentos tem de separar a comiss\u00e3o (real e recorrente) do lucro-de-negocia\u00e7\u00e3o (real mas vol\u00e1til), e \u00e9 aqui que a an\u00e1lise de <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/posicionamento-derivados-rolagem-expiracao-trimestral-2026\/'>posicionamento em derivados<\/a> deixa de ser um luxo e passa a ser parte da dilig\u00eancia. Um APY anunciado de dois d\u00edgitos num cofre de perp\u00e9tuos pode ser metade comiss\u00e3o, metade aposta.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>V2, GM pools e a corrida multichain<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">A GMX n\u00e3o ficou parada. Ao todo, j\u00e1 processou <a href='https:\/\/plisio.net\/defi\/gmx'>cerca de 328 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em volume de perp\u00e9tuos<\/a> e gerou mais de 460 milh\u00f5es em comiss\u00f5es desde que abriu, ao servi\u00e7o de mais de 720 mil utilizadores. A vers\u00e3o 2 substituiu o cofre \u00fanico GLP por GM pools, cofres isolados por mercado, para que o risco de um par n\u00e3o contaminasse os outros, e integrou um or\u00e1culo de baixa lat\u00eancia da Chainlink para pre\u00e7os mais r\u00e1pidos. Acrescentou tamb\u00e9m uma recompra: parte das comiss\u00f5es passou a ser usada, por decis\u00e3o da governa\u00e7\u00e3o, para comprar GMX no mercado e distribu\u00ed-lo a quem faz staking. E, sobretudo, saiu do seu territ\u00f3rio original.<\/p><figure class='wp-block-table'><table><thead><tr><th>Marco<\/th><th>Quando<\/th><th>O que mudou<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Lan\u00e7amento no Arbitrum<\/td><td>Set. 2021<\/td><td>Perp\u00e9tuos com GLP, comiss\u00f5es pagas em ETH<\/td><\/tr><tr><td>Expans\u00e3o ao Avalanche<\/td><td>In\u00edcio de 2022<\/td><td>Comiss\u00f5es tamb\u00e9m em AVAX<\/td><\/tr><tr><td>GMX V2 e GM pools<\/td><td>2023-2024<\/td><td>Cofres isolados por mercado, or\u00e1culo Chainlink<\/td><\/tr><tr><td>Solana<\/td><td>Mar. 2025<\/td><td>Primeira sa\u00edda para fora do universo EVM<\/td><\/tr><tr><td>Multichain (LayerZero, Base)<\/td><td>Set. 2025<\/td><td>GM e GLV acess\u00edveis entre cadeias<\/td><\/tr><tr><td>BNB Chain<\/td><td>Out. 2025<\/td><td>Entrada num dos maiores ecossistemas DeFi<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure><p class=\"wp-block-paragraph\">No papel, \u00e9 a folha de servi\u00e7o de um protocolo saud\u00e1vel: produto melhorado, mais cadeias, uma recompra a acrescentar procura pelo token. Na pr\u00e1tica, nada disto travou a perda de quota. E a raz\u00e3o n\u00e3o estava na engenharia da GMX, que continuava competente; estava num concorrente que chegou com uma proposta radicalmente diferente, e num epis\u00f3dio que abalou a confian\u00e7a no momento errado.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Os 42 milh\u00f5es de julho de 2025<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um epis\u00f3dio que nenhuma retrospetiva honesta pode saltar. A 9 de julho de 2025, um atacante explorou uma falha de reentr\u00e2ncia na vers\u00e3o 1 da GMX, no Arbitrum. Manipulando a contabilidade interna do cofre, conseguiu inflacionar artificialmente o pre\u00e7o do GLP at\u00e9 cerca de 27 d\u00f3lares e resgatar muito mais ativos do que devia, <a href='https:\/\/www.theblock.co\/post\/361806\/hacker-drains-42-million-from-decentralized-perpetual-exchange-gmx'>drenando cerca de 42 milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/a>. A equipa suspendeu de imediato a negocia\u00e7\u00e3o e a emiss\u00e3o na V1. A V2, com os seus cofres isolados, <a href='https:\/\/www.halborn.com\/blog\/post\/explained-the-gmx-hack-july-2025'>nunca foi afetada<\/a>, o que validou, \u00e0 sua maneira, a arquitetura mais recente.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">O desfecho foi invulgarmente civilizado: a GMX ofereceu publicamente uma recompensa de 10% ao atacante para devolver o resto, e entre 11 e 16 de julho o explorador enviou de volta cerca de 40,5 milh\u00f5es, ficando com os 10% a t\u00edtulo de \u00abwhite hat\u00bb. Mas a li\u00e7\u00e3o para quem persegue rendimento real \u00e9 dura e essencial: o facto de um rendimento ser real n\u00e3o o torna seguro. O risco de contrato inteligente \u00e9 ortogonal \u00e0 qualidade da receita; um protocolo pode ter o melhor modelo de cash flow do mercado e perder o capital dos utilizadores numa linha de c\u00f3digo mal escrita. \u00c9 a mesma din\u00e2mica que vimos noutros perp\u00e9tuos descentralizados, incluindo os epis\u00f3dios que marcaram os <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/perp-dex-solana-hack-drift-pacifica-jupiter-2026\/'>perp DEX na Solana depois do hack da Drift<\/a>. Num neg\u00f3cio de confian\u00e7a, um susto destes cobra-se em fuga de liquidez, e a liquidez que sai raramente volta ao mesmo s\u00edtio.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Porque o inventor perdeu o trono para a Hyperliquid<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Se o modelo de rendimento real da GMX era t\u00e3o bom, porque \u00e9 que uma rec\u00e9m-chegada o esmagou? A resposta tem pouco a ver com a partilha de comiss\u00f5es e tudo a ver com o produto. A Hyperliquid construiu um livro de ordens numa cadeia pr\u00f3pria, com uma execu\u00e7\u00e3o que sabe a bolsa centralizada, e correu uma campanha agressiva de pontos e airdrop. Os traders que perseguem execu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e comiss\u00f5es baixas seguiram-na, e o volume seguiu os traders. Os n\u00fameros de 2026 n\u00e3o deixam margem para d\u00favida.<\/p><figure class='wp-block-table'><table><thead><tr><th>M\u00e9trica (2026)<\/th><th>GMX<\/th><th>Hyperliquid<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Volume de perp\u00e9tuos (30 dias)<\/td><td>~2 a 3 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/td><td>~245 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/td><\/tr><tr><td>TVL<\/td><td>~419 milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/td><td>v\u00e1rios milhares de milh\u00f5es<\/td><\/tr><tr><td>Receita 2026 (acumulada no ano)<\/td><td>marginal<\/td><td>~429 milh\u00f5es (1.\u00ba do mercado)<\/td><\/tr><tr><td>Capitaliza\u00e7\u00e3o do token<\/td><td>~82 milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/td><td>dezenas de milhares de milh\u00f5es<\/td><\/tr><tr><td>Face ao m\u00e1ximo hist\u00f3rico<\/td><td>-91%<\/td><td>perto de m\u00e1ximos<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure><p class=\"wp-block-paragraph\">A Hyperliquid faz hoje num m\u00eas mais volume do que a GMX fez em quase toda a sua vida, e a sua receita anual de cerca de 429 milh\u00f5es de d\u00f3lares, <a href='https:\/\/www.coingecko.com\/learn\/top-onchain-revenue-crypto-projects-2026'>a maior de qualquer projeto cripto em 2026<\/a>, ultrapassa a dos dois concorrentes seguintes somados. A ironia \u00e9 limpa: o modelo que a GMX inventou funciona melhor do que nunca, s\u00f3 que ao servi\u00e7o de outro. O rendimento real, enquanto categoria, ganhou; o seu criador perdeu. Para o investidor, \u00e9 o lembrete mais caro de todos: a tese pode estar cert\u00edssima e o token errado.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Recompra ou distribui\u00e7\u00e3o? A GMX faz as duas<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">A GMX tem uma particularidade que a torna um caso de estudo raro: paga rendimento real das duas maneiras que hoje dividem a DeFi. A forma original \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o direta, as comiss\u00f5es em ETH e AVAX que caem na conta de quem faz staking. A forma nova \u00e9 a recompra, em que parte das comiss\u00f5es compra GMX no mercado para o entregar aos stakers. A primeira \u00e9 dinheiro que se pode gastar; a segunda \u00e9 press\u00e3o de compra sobre o token, que s\u00f3 se transforma em dinheiro se o detentor vender para o lance.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Qual \u00e9 melhor? O debate est\u00e1 longe de resolvido. Anatoly Yakovenko, cofundador da Solana, <a href='https:\/\/beincrypto.com\/jupiter-buyback-solana-token-unlocks\/'>argumentou que distribuir a receita diretamente<\/a> a quem faz staking tende a criar mais valor do que gast\u00e1-la a recomprar o token, sobretudo quando as emiss\u00f5es continuam a diluir a oferta mais depressa do que a recompra a reduz. Do outro lado, Stani Kulechov, fundador da Aave, defende as recompras \u00abimut\u00e1veis e autom\u00e1ticas\u00bb do AAVE como forma de <a href='https:\/\/thedefiant.io\/news\/defi\/aave-confirms-aavenomics-3-0-live-buybacks-dao-spending-cut'>ligar o valor do token \u00e0 receita do protocolo<\/a>, sem depender de uma vota\u00e7\u00e3o em cada ciclo. A experi\u00eancia da <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/jupiter-jup-recompra-litterbox-rendimento-real-2026\/'>Jupiter, que gastou mais de 70 milh\u00f5es em recompras sem mover o pre\u00e7o<\/a>, mostra o lado fraco do argumento da recompra: se as emiss\u00f5es forem maiores do que a recompra, \u00e9 um balde a esvaziar um barco furado.<\/p><figure class='wp-block-table'><table><thead><tr><th>Forma de devolver valor<\/th><th>O que \u00e9<\/th><th>Sobrevive ao token a zero?<\/th><th>Exemplos<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Distribui\u00e7\u00e3o direta<\/td><td>Receita paga em ETH, AVAX ou stablecoins ao detentor<\/td><td>Sim, \u00e9 dinheiro externo<\/td><td>GMX (parte 70\/30), GLP, JLP<\/td><\/tr><tr><td>Recompra e distribui\u00e7\u00e3o<\/td><td>Receita compra o token e entrega-o aos stakers<\/td><td>Sim, mas s\u00f3 realiza se vender<\/td><td>GMX (recompra), Aave<\/td><\/tr><tr><td>Recompra e queima<\/td><td>Receita compra o token e destr\u00f3i-o<\/td><td>Sim, valor indireto via oferta<\/td><td>Uniswap, Pump.fun<\/td><\/tr><tr><td>Emiss\u00e3o de tokens<\/td><td>Recompensa paga em tokens novos<\/td><td>N\u00e3o, \u00e9 dilui\u00e7\u00e3o<\/td><td>Quintas de rendimento de 2020-2021<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure><p class=\"wp-block-paragraph\">A GMX ocupa as duas primeiras linhas em simult\u00e2neo, o que a torna, no papel, mais robusta do que um protocolo que s\u00f3 recompra. Mas nenhuma engenharia de devolu\u00e7\u00e3o de valor salva um neg\u00f3cio que perde clientes: se o volume desaparece, tanto a distribui\u00e7\u00e3o como a recompra secam, porque ambas bebem da mesma fonte, as comiss\u00f5es. A forma como se devolve o valor \u00e9 uma decis\u00e3o de segunda ordem; a de primeira ordem \u00e9 continuar a gerar valor para devolver.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>A r\u00e9gua: o que rende contra a taxa base sem risco<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um n\u00famero contra o qual todos estes rendimentos t\u00eam de ser medidos, e em 2026 esse n\u00famero subiu. A 16 de setembro, a Reserva Federal subiu a taxa diretora para o intervalo de 3,75% a 4,00%, a primeira subida desde julho de 2023, e no mesmo dia entrou em vigor a subida do Banco Central Europeu, com a taxa de dep\u00f3sito nos 2,50%. Para um aforrador, a taxa sem risco de refer\u00eancia \u00e9 o cup\u00e3o de um bilhete do Tesouro, e \u00e9 isso que os bilhetes do Tesouro tokenizados entregam on-chain: cerca de 3,5% ao ano, sobre um universo de <a href='https:\/\/app.rwa.xyz\/treasuries'>quase 15 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/a> em fundos como o BUIDL da BlackRock, o USYC da Circle e o USDY da Ondo.<\/p><figure class='wp-block-table'><table><thead><tr><th>Fonte de rendimento<\/th><th>Taxa (aprox.)<\/th><th>Pago em<\/th><th>Risco principal<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Bilhetes do Tesouro tokenizados<\/td><td>~3,5%<\/td><td>D\u00f3lares (stablecoin)<\/td><td>Emissor\/cust\u00f3dia; \u00e9 d\u00f3lar<\/td><\/tr><tr><td>Sky (sUSDS), taxa de poupan\u00e7a<\/td><td>3,75%<\/td><td>USDS<\/td><td>Definida por governa\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td>Ethena (sUSDe)<\/td><td>~4% a 5%<\/td><td>USDe<\/td><td>Funding, pode ir a negativo<\/td><\/tr><tr><td>Staking de ETH<\/td><td>~2,7% a 3%<\/td><td>ETH<\/td><td>Pre\u00e7o do ETH<\/td><\/tr><tr><td>Staking de GMX<\/td><td>Vari\u00e1vel, ligado ao volume<\/td><td>ETH\/AVAX (+ recompra)<\/td><td>Volume c\u00edclico + pre\u00e7o do token<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure><p class=\"wp-block-paragraph\">A r\u00e9gua \u00e9 implac\u00e1vel com a GMX. O staking de GMX rende de forma vari\u00e1vel, dependente do volume de negocia\u00e7\u00e3o, e paga num ativo (ETH\/AVAX) que oscila. Quando o volume caiu, o rendimento caiu com ele, e ficou a competir com um bilhete do Tesouro que, desde a subida da Fed, passou a pagar mais e sem risco de pre\u00e7o. Para muitos detentores, a matem\u00e1tica deixou de fazer sentido: porqu\u00ea aceitar o risco de um token que j\u00e1 caiu 91% para captar um rendimento que talvez nem supere a taxa sem risco? \u00c9 esta compara\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o uma qualquer falha moral do modelo, que tem esvaziado os rendimentos c\u00edclicos da DeFi \u00e0 medida que a base subiu.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>O problema do euro: juro em ETH, conta em d\u00f3lares<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Para um investidor portugu\u00eas, h\u00e1 uma camada extra de risco que raramente aparece nas contas. Quase todo o rendimento real da DeFi \u00e9, na origem, um rendimento em d\u00f3lares: a taxa base \u00e9 o bilhete do Tesouro americano, e as comiss\u00f5es dos protocolos s\u00e3o cotadas e pensadas em d\u00f3lares. A GMX leva o problema ao extremo, porque paga em ETH e AVAX, ativos ainda mais vol\u00e1teis do que o d\u00f3lar. Um residente na zona euro que fa\u00e7a staking de GMX empilha tr\u00eas riscos de uma vez: o pre\u00e7o do GMX, o pre\u00e7o do ETH ou AVAX em que \u00e9 pago, e a taxa de c\u00e2mbio euro\/d\u00f3lar.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">A parte cambial \u00e9 a mais insidiosa porque \u00e9 silenciosa. Em finais de setembro de 2026, o euro valia perto de 1,14 d\u00f3lares, num m\u00ednimo de cerca de dois meses, com o d\u00f3lar forte por causa de uma Fed mais dura. \u00c9 uma corrida entre dois bancos centrais: se o euro se valorizar face ao d\u00f3lar, corr\u00f3i o valor em euros de qualquer rendimento cotado em d\u00f3lares; se um portugu\u00eas quiser cobrir esse risco, o custo da cobertura tende a aproximar-se da diferen\u00e7a de taxas entre a Fed e o BCE, o que puxa o rendimento l\u00edquido de volta para perto da taxa base europeia, mais baixa. Ou seja, ou aceita o risco cambial, ou paga para o eliminar e fica com pouco.<\/p><figure class='wp-block-table'><table><thead><tr><th>Cen\u00e1rio (rendimento nominal ~4% em d\u00f3lares)<\/th><th>Efeito no retorno em euros<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Euro est\u00e1vel face ao d\u00f3lar<\/td><td>Fica perto dos ~4%<\/td><\/tr><tr><td>Euro sobe 4% face ao d\u00f3lar<\/td><td>O rendimento do ano \u00e9 praticamente apagado<\/td><\/tr><tr><td>Euro sobe 8%<\/td><td>Perda em euros, apesar do juro positivo<\/td><\/tr><tr><td>Rendimento pago em ETH\/AVAX que cai 20%<\/td><td>A perda do ativo domina tudo o resto<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure><p class=\"wp-block-paragraph\">A conclus\u00e3o pr\u00e1tica: para um euro, um rendimento real de 4% em d\u00f3lares n\u00e3o \u00e9 um rendimento real de 4%. E um rendimento pago num token vol\u00e1til pode ser, no fim do ano, uma perda. Kevin Warsh, o presidente da Fed, avisou em Jackson Hole que <a href='https:\/\/www.federalreserve.gov\/newsevents\/speech\/warsh20260828a.htm'>\u00aba estabilidade dos pre\u00e7os n\u00e3o se concretiza por si s\u00f3, nem a infla\u00e7\u00e3o regressa necessariamente \u00e0 m\u00e9dia\u00bb<\/a>, o que na pr\u00e1tica significa que a taxa base americana pode continuar mais alta durante mais tempo, mantendo a press\u00e3o sobre o euro e a fasquia alta para qualquer rendimento cripto que se queira comparar com um simples dep\u00f3sito.<\/p><h2 class='wp-block-heading'>Portugal: CMVM, Banco de Portugal e o imposto sobre o juro<\/h2><p class=\"wp-block-paragraph\">Do lado regulat\u00f3rio, \u00e9 preciso distinguir o que \u00e9 supervisionado e por quem. Em Portugal, a <a href='https:\/\/diariodarepublica.pt\/dr\/detalhe\/lei\/69-2025-992098939'>Lei n.\u00ba 69\/2025<\/a>, em vigor desde 27 de dezembro de 2025, reparte a supervis\u00e3o: o Banco de Portugal cuida dos emitentes de stablecoins (os tokens referenciados a ativos e de moeda eletr\u00f3nica, ao abrigo dos t\u00edtulos III e IV do MiCA), enquanto a <a href='https:\/\/www.cmvm.pt\/'>CMVM<\/a> fica com a conduta dos prestadores de servi\u00e7os de criptoativos e o abuso de mercado, com coimas que podem chegar a 5 milh\u00f5es de euros. Uma nota central para quem persegue rendimento: o MiCA pro\u00edbe pagar juro pela simples deten\u00e7\u00e3o de uma stablecoin (artigos 40.\u00ba e 50.\u00ba), raz\u00e3o pela qual o rendimento vive sempre num embrulho (sUSDS, sUSDe) e nunca na moeda em si.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda uma fronteira que apanha a GMX em cheio: os perp\u00e9tuos s\u00e3o instrumentos financeiros ao abrigo da DMIF II (MiFID II), n\u00e3o criptoativos ao abrigo do MiCA. A negocia\u00e7\u00e3o de derivados cripto \u00e9 supervisionada pelo regulador de mercado (a CMVM), e a <a href='https:\/\/www.esma.europa.eu\/'>ESMA fixou em mar\u00e7o de 2025 os crit\u00e9rios<\/a> que separam um criptoativo de um instrumento financeiro. Ou seja, a mesma plataforma pode ter uma parte \u00abMiCA\u00bb (o token, a troca \u00e0 vista) e uma parte \u00abMiFID\u00bb (os perp\u00e9tuos), com regras diferentes a aplicar-se ao mesmo utilizador.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">E o imposto? Para um residente em Portugal, o enquadramento depende da forma do rendimento. As comiss\u00f5es recebidas por staking tendem a cair na categoria E (rendimentos de capitais), tributadas a 28% no momento em que s\u00e3o recebidas, sem o benef\u00edcio do prazo de deten\u00e7\u00e3o. As mais-valias na venda dos tokens caem na categoria G, tamb\u00e9m a 28%, mas com isen\u00e7\u00e3o se os ativos forem detidos mais de 365 dias. A posi\u00e7\u00e3o da Autoridade Tribut\u00e1ria sobre rendimentos que se acumulam dentro de um token-embrulho (como o sUSDS) ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente fechada, e vale a pena ter isto presente, tal como quem faz contas \u00e0s <a href='https:\/\/hoge.gg\/pt\/tesourarias-cripto-contabilidade-prejuizo-papel-imposto-2026\/'>tesourarias cripto e ao imposto sobre lucros que existem s\u00f3 no papel<\/a>. Antes de acreditar num \u00abrendimento real\u00bb, este jornal sugere cinco perguntas:<\/p><ul class='wp-block-list'><li>De onde vem a receita? Comiss\u00f5es, juros, funding e cup\u00f5es contam; pontos e airdrops n\u00e3o.<\/li><li>Sobrevive ao token a zero? Se o rendimento desaparece quando o token vai a zero, \u00e9 subs\u00eddio.<\/li><li>O que sobra depois de descontar os incentivos? Some tudo o que \u00e9 pago em tokens novos e subtraia \u00e0 receita.<\/li><li>A receita \u00e9 c\u00edclica? O volume de perp\u00e9tuos e de memecoins vai e vem; um cup\u00e3o do Tesouro n\u00e3o.<\/li><li>Em que moeda recebe, e qual \u00e9 o risco cambial? Um juro em d\u00f3lares, ou pior, em ETH, n\u00e3o \u00e9 um juro em euros.<\/li><\/ul><h2 class='wp-block-heading'>Perguntas frequentes<\/h2><h3 class='wp-block-heading'>O que \u00e9 o rendimento real (real yield) na DeFi?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o rendimento que vem da receita que um protocolo cobra a quem o usa (comiss\u00f5es, juros, funding, cup\u00f5es de ativos do mundo real) e n\u00e3o da emiss\u00e3o de novos tokens. O teste \u00e9 simples: se o token do protocolo fosse a zero, um rendimento real continuaria a existir, porque n\u00e3o depende da valoriza\u00e7\u00e3o nem da dilui\u00e7\u00e3o do token.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>Porque \u00e9 que a GMX \u00e9 considerada a pioneira do rendimento real?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">Porque, em 2022, popularizou um modelo em que 70% das comiss\u00f5es iam para quem dava liquidez e 30% para quem fazia staking, tudo pago em ETH e AVAX e n\u00e3o em GMX. Isso tornou-a o exemplo mais citado da \u00abmania do rendimento real\u00bb desse ano, ao lado da Synthetix, da Gains Network e da dYdX.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>O que aconteceu no hack da GMX de 2025?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">A 9 de julho de 2025, um atacante explorou uma falha de reentr\u00e2ncia na vers\u00e3o 1 da GMX no Arbitrum, manipulou o pre\u00e7o do cofre GLP e drenou cerca de 42 milh\u00f5es de d\u00f3lares. A vers\u00e3o 2 n\u00e3o foi afetada e, ap\u00f3s a oferta de uma recompensa de 10%, o atacante devolveu cerca de 40,5 milh\u00f5es entre 11 e 16 de julho.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>Porque \u00e9 que a GMX perdeu para a Hyperliquid?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o foi pelo modelo de comiss\u00f5es, que continua a funcionar, mas pelo produto. A Hyperliquid ofereceu um livro de ordens r\u00e1pido, com sensa\u00e7\u00e3o de bolsa centralizada, e uma campanha agressiva de pontos e airdrop, atraindo o volume dos traders. Em 2026, faz num m\u00eas mais volume do que a GMX faz em muito tempo e \u00e9 o projeto cripto com mais receita do ano.<\/p><h3 class='wp-block-heading'>Vale a pena o rendimento da GMX para um investidor em euros?<\/h3><p class=\"wp-block-paragraph\">Depende da toler\u00e2ncia ao risco. O rendimento \u00e9 pago em ETH e AVAX, por isso um investidor em euros acumula tr\u00eas riscos: o pre\u00e7o do GMX, o pre\u00e7o do ativo em que recebe e a taxa de c\u00e2mbio euro\/d\u00f3lar. Com a taxa sem risco em d\u00f3lares perto de 3,5% a 4%, \u00e9 preciso justificar bem porque se aceita tanto risco para captar um rendimento que pode nem superar um bilhete do Tesouro.<\/p><script type=\"application\/ld+json\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@type\":\"FAQPage\",\"mainEntity\":[{\"@type\":\"Question\",\"name\":\"O que \u00e9 o rendimento real (real yield) na DeFi?\",\"acceptedAnswer\":{\"@type\":\"Answer\",\"text\":\"\u00c9 o rendimento que vem da receita que um protocolo cobra a quem o usa (comiss\u00f5es, juros, funding, cup\u00f5es de ativos do mundo real) e n\u00e3o da emiss\u00e3o de novos tokens. 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